2009/07/12

Da agência de notícias ZENIT: Rabino judeu: cristianismo permite-nos reencontrar nossas raízes.

Rabino judeu: cristianismo permite-nos reencontrar nossas raízes.

Declarações de Rivon Krygier.

PARIS, quarta-feira, 10 de junho de 2009 (ZENIT.org).

“O cristianismo nos permite frequentemente reencontrar nossas raízes”, afirma um reconhecido especialista francês em lei judaica, o rabino Rivon Krygier.
Krygier destaca a “absoluta necessidade” do diálogo inter-religioso e revela que sua experiência de diálogo com os cristãos o esclareceu muito sobre sua própria religião.
“Quando começamos a falar, todos temos de superar os estereótipos e preconceitos –explica ao semanário da arquidiocese da capital francesa, "Paris Notre-Dame". Eu mesmo vivi esta experiência".
“Para mim, o cristianismo era uma religião superficial, baseada apenas nos afetos, uma fé irracional, que implicava a negação do corpo, etc”, reconheceu.
“Através do diálogo, descobri não apenas as grandes riquezas espirituais, mas também os homens e mulheres exemplares por sua fé e suas obras, ‘justos’, segundo nosso vocabulário –acrescenta. Sua fé e a minha não são rivais, mas tendem ao Reino de Deus”.
Para Rivon Krygier, rabino da comunidade masorti Adath-Shalom, de Paris, "os Evangelhos constituem uma visão rica, uma reflexão sobre o judaísmo”.
“O estudo do Evangelho e o diálogo com os cristãos me esclareceu muito sobre minha própria tradição”, assegura.
Entre eles, “sente-se realmente o judaísmo de Jesus, sua maneira de interpretar e viver a fé judaica, na escola dos grandes profetas”.
Segundo o rabino, “em sua memória ou em seu culto, o cristianismo conservou muitos costumes judeus que foram completamente abandonados no judaísmo que continuou evoluindo”.
Como exemplo, destacou a celebração da vigília pascal, que em algumas comunidades cristãs dura toda a noite.
“Essa é uma tradição judaica essencial, mas abandonada e esquecida por muitos”, explica. “Mas se diz que a maioria das vezes é o cristianismo que reencontra suas raízes neste diálogo”, destaca.
Sobre sua visão de Jesus, o rabino afirma: “para mim, como judeu, Jesus encarna um homem desesperado pela redenção e a salvação; queria acelerar a vinda do Reino de Deus e a isso se dedicou ao longo de sua vida”.
Também avalia que Jesus, “na realidade, ajudou milhões de não-judeus em todo o mundo a se unir à cepa de Israel e à fé do monoteísmo universal de acordo com a promessa feita a Abraão”.
“Viu-se que Jesus desencadeou realmente um movimento espiritual de uma amplitude maior, fundamentalmente respeitável (ainda que lamentamos a longa controvérsia entre judeus e cristãos) e isso em si mesmo é parte do messianismo”, afirma.
Para o rabino, “as espiritualidades se iluminam e podem nos ajudar a compreender melhor nossa própria religião, ao tempo que se constrói a fraternidade universal buscada no projeto último de nossas respectivas religiões”.
Ao mesmo tempo, reconhece alguns fatores que dificultam o diálogo entre cristãos e judeus, como o número inferior de judeus em relação aos cristãos, que faz com que os judeus estejam menos representados no cenário do diálogo.
Também o fato de que “muitos judeus não são praticantes ou não estão interessados na religião” e “a maioria dos que têm uma inquietude espiritual tem a necessidade de aprofundar em sua própria tradição”.
Por outro lado, “as comunidades judaicas encontram-se dispersas e não tão bem organizadas como a Igreja e isso não favorece as reuniões formais com outras comunidades”.

Da agência de notícias ZENIT: Contra crise, Santa Sé pede defesa do emprego.

Contra crise, Santa Sé pede defesa do emprego.

Intervenção na conferência da Organização Internacional do TrabalhoCIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de junho de 2009 (ZENIT.org).

A Santa Sé propôs manter o emprego e tutelar a dignidade dos trabalhadores como caminho para sair da crise econômica.
A posição vaticana foi exposta pelo arcebispo Silvano Maria Tomasi, C.S., observador permanente nas Nações Unidas em Genebra, ao intervir quarta-feira na conferência anual da Organização Internacional do Trabalho, que de 3 a 19 de junho reúne 4 mil delegados de governo e representantes do mundo empresarial e do trabalho.
“A atual crise econômica e financeira impõe medidas concretas para orientar e mudar comportamentos, regras e avaliações equivocadas”, disse o núncio apostólico.
Em declarações à Rádio Vaticano, posteriores a sua intervenção, o prelado italiano explicou que “a crise não é simplesmente o resultado de uma falha na engrenagem do mecanismo econômico; sua raiz foi a falta de valores éticos”.
“A gula e a avareza de alguns managers construiu uma economia que não se baseia na produtividade real, mas em uma espécie de economia digital, que acumulava dinheiro mas não oferecia serviço social e material, segundo as exigências das pessoas e do bem comum”, disse.
O arcebispo sublinhou também a importância da solidariedade “neste momento difícil”, “elemento importante para sair da crise”.
Mas sobretudo o bispo considera que a solução passa por “manter o emprego das pessoas, por manter os postos de trabalho, e isso se pode fazer ajudando não apenas os grandes bancos ou as grandes empresas, mas as pequenas e médias empresas, que dão trabalho tanto nos países desenvolvidos como nos pobres à grande maioria das pessoas”.
Neste contexto, o representante do Papa pediu a redescoberta do valor do trabalho. “O trabalho tem valor porque é produzido por uma pessoa que tem capacidade criativa, cujo talento, pequeno ou grande, é colocado ao serviço do bem comum”, disse.
Tomasi explicou que é muito importante esta dimensão “perante o risco de que 50 milhões de pessoas fiquem sem trabalho como consequência desta crise”.
“Os jovens têm grandes dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Não se coloca ao serviço da comunidade e da produtividade real toda a sua energia, toda a sua criatividade, de maneira que eles possam facilitar a solução da crise”, afirmou.

Da agência de notícias ZENIT: Mudança climática, desafio aos estilos de vida e à solidariedade.

Mudança climática, desafio aos estilos de vida e à solidariedade.

Afirma a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia
BRUXELAS, quinta-feira, 18 de junho de 2009 (
ZENIT.org).
A Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) considera que a mudança climática é um desafio para os estilos de vida, a solidariedade e a justiça mundial.Em comunicado enviado a ZENIT, no contexto de um seminário realizado ontem, a COMECE assinala que seis meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, em Copenhague, as Igrejas e suas organizações têm debatido com representantes da União Europeia sobre a dimensão ética da luta contra a mudança climática.
Representantes da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e dos Estados membros trocaram seus pontos de vista com representantes das Igrejas sobre a base dos dados científicos mais recentes relativos à mudança climática.
Dados recentes apontam que o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa fixado para 2020 não é suficiente. Helga Kromp-Kolb, meteorologista de reconhecimento internacional, declarou que 30% não são suficientes; 2°C é algo muito elevado e 2020 é muito tarde”.
Karl Falkenberg, diretor geral de meio ambiente na Comissão Europeia, declarou que o resultado em Copenhague não será positivo se não chegarmos a convencer outros grandes países produtores de emissões tais como China, Índia ou Rússia de que se comprometam perante isso”.
Bernd Nilles, secretário-geral da CIDSE (agências católicas de desenvolvimento) recordou que a luta contra a mudança climática deve estar fortemente ligada a políticas de ajuda ao desenvolvimento. Ele advertiu contra a falta de solidariedade com os países em vias de desenvolvimento. “Em Copenhague, precisamos de respostas, não de desculpas”, disse.
Já o secretário-geral da COMECE, padre Piotr Mazurkiewicz, afirmou que “uma resposta eficaz à mudança climática requer liderança política e uma reflexão séria. A questão que se apresenta é saber o que é uma vida boa e feliz”.
Apoiando-se em vários informes de especialistas e em documentos de reflexão publicados pelas Igrejas e seus diversos organismos, os participantes indicaram que a necessidade de mudar os estilos de vida pode ser transmitida de maneira mais eficaz pela educação em todos os níveis e pela promoção e consumo duradouro”.
(Nieves San Martín)

Da agência de notícias ZENIT: Revelado plano de Hitler para matar Pio XII.

Revelado plano de Hitler para matar Pio XII.

Novo testemunho histórico confirma documentos precedentes.
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 16 de junho de 2009 (
ZENIT.org).
Hitler queria sequestrar ou matar Pio XII, segundo confirmam novos testemunhos históricos revelados nesta terça-feira.
Dados sobre este objetivo já haviam sido oferecidos no passado. Em 1972, havia falado dele o general da SS, Karl Wolf, ao referir detalhes sobre um encontro que teve com o Papa Eugenio Pacelli no dia 10 de maio de 1944. No entanto, é a primeira vez que se recolhem detalhes concretos sobre o plano de eliminação do pontífice.
Nesta terça-feira, o jornal italiano
Avvenire publicou um testemunho histórico que confirma o plano organizado contra o Papa pelo Reichssicherheitsamt (quartel general para a segurança do Reich) de Berlim, depois de 25 de julho de 1943.
O jornal cita uma fonte direta e testemunhal, Niki Freytag von Loringhoven, de 72 anos, residente em Munique, filho de Wessel Freytag von Loringhoven, quem então era coronel do Alto Comando Alemão das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW), e depois participaria de um falido golpe contra Hitler.
Segundo Freytag von Loringhoven, nos dias 29 e 30 de julho de 1943, houve em Veneza um encontro secreto para informar ao chefe de contraespionagem italiano, o general Cesare Amè, da intenção do Führer de punir os italianos pela prisão Mussolini, com o sequestro ou o assassinato de Pio XII e do rei da Itália.
No encontro participaram o chefe de Ausland-Abwehr (contraespionagem), o almirante Wilhelm Canaris, e dois coronéis da seção II para a sabotagem, Erwin von Lahousen e precisamente Wessel Freytag von Loringhoven.
Segundo Avvenire, este testemunho concorda com a deposição de Erwin von Lahousen no processo de Nurembergue de 1º de fevereiro de 1946 (Warnreise Testimony 1330-1430), no qual inclusive revela a reação de Freytag von Loringhoven ao conhecer o plano de Hitler: “É uma autêntica covardia!”.
O chefe de contraespionagem italiano, Amè, segundo este testemunho histórico, ao voltar a Roma após conhecer as intenções de Hitler em Veneza, divulgou a notícia dos planos contra o Papa para bloqueá-los. Estas notícias chegaram ao embaixador da Alemanha na Santa Sé, Ernst von Weisäcker, quem as recolhe em seu livro Erinnerungen (“Lembranças”), de 1950.

Da agência de notícias ZENIT: Cardeal Lajolo: verdades científicas e teológicas não se podem contradizer.

Cardeal Lajolo: verdades científicas e teológicas não se podem contradizer.

Visita de uma delegação do Vaticano ao acelerador de partículas do CERNGENEBRA, quinta-feira, 18 de junho de 2009 (ZENIT.org).

As verdades científicas e teológicas nunca se podem contradizer porque ambas “derivam da mesma fonte, que é Deus”, afirmou o cardeal Giovanni Lajolo, presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.
Foi durante uma mesa-redonda sobre diálogo entre fé e ciência, celebrada no início de junho na sede da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (
CERN), em Genebra, durante a visita de uma delegação do Vaticano ao centro que acolhe o maior túnel acelerador de partículas do mundo.
O cardeal citou Roberto Belarmino, doutor da Igreja que pesquisou Galileu, segundo o qual se uma declaração científica é evidentemente verdadeira e não se encontra em absoluta conformidade com a Bíblia, é necessário investigar como se pode interpretar corretamente a Escritura para não contradizer a verdade científica.
Para o purpurado, esta afirmação “continua sendo um princípio válido em relação aos fatos científicos”.
Segundo o cardeal Lajolo, a Igreja católica é uma defensora da razão e da verdade e por isso “reconheceu mais tarde a posição científica defendida por Galileu e o erro cometido em sua condenação”.
Dom Lajolo liderava a delegação, entre cujos membros se encontravam o observador permanente do Vaticano na ONU, Dom Silvano Maria Tomasi, C.S.; o diretor do Observatório Astronômico Vaticano, padre Jose Funes, S.I., e o astrônomo do Vaticano Guy Consolmagno, S.I.
Para Dom Tomasi, a visita da delegação do Vaticano ao CERN abriu um importante canal de diálogo entre ciência e fé, assim como entre o Vaticano e o importante organismo de pesquisa.
“A questão que emergiu na visita foi como manter o contato”, disse, porque os cientistas que estudam o universo se perguntam muitas das questões teológicas, como algumas sobre o significado da vida.
No entanto, acrescentou, os métodos utilizados por cientistas e teólogos para responder a esses questionamentos são radicalmente diferentes e os situam em “dois mundos completamente diferentes”.
“Não há hostilidade entre ambos, mas é necessário falar cruzando essas fronteiras e determinar a maneira com que o conhecimento humano pode avançar”, explicou.
O cardeal Lajolo aceitou “com satisfação o convite de visitar o CERN por meu próprio interesse, diante dos limites mais longínquos que a ciência astrofísica está conseguindo alcançar com a aceleração de prótons”.
O purpurado afirmou que as descobertas das novas partículas subatômicas podem ajudar a confirmar a teoria Superstring do professor da Universidade de Princeton Edward Witten, que busca unificar a teoria geral da relatividade de Albert Einstein e a física quântica.

Da agência de notícias ZENIT: Erasmo e seu amigo Thomas More.

Erasmo e seu amigo Thomas More.
Por Elizabeth Lev.
ROMA, domingo, 21 de junho de 2009 (
ZENIT.org)

Em 1440, a imprensa distribuiu ao mundo, em massa, livros que transformariam e enriqueceriam a vida do homem para sempre. Isso deu origem aos impressos avulsos, sendo os primeiros jornais. E, nessa linha, o ensaio (artigo de opinião) nasceu sob a forma de panfleto.
Os intelectuais renascentistas tinham muito a escrever. No turbulento período da Reforma, muitas pessoas perderam seus líderes espirituais e se voltaram para a leitura das sofisticadas obras literárias desses experts.
A heresia apareceu lado a lado com a sã doutrina, e a confusão estava completamente espalhada. As pessoas podiam ler Calvino um dia e “A Defesa dos Sete Sacramentos” no outro. Como a Igreja foi desafiada na essência de seus ensinamentos, os fiéis sentiram-se à deriva e inseguros, e certos intelectuais viram a oportunidade de fazer nome envolvendo-se em questões do momento, sem promover verdadeiramente em debate teológico.
Erasmo de Rotterdam foi um desses. Embora ele fosse reconhecido como católico durante toda a Reforma, suas escritas e sátiras causaram muitas incertezas, ao ponto em que a renovação católica da geração seguinte o culpou por ter causado danos que eclodiram na Reforma.
Este ano marca o 500° aniversário da sátira mais célebre de Erasmo, "Elogio da loucura", onde ele empresta sua caneta para registrar as queixas dos reformadores, expondo a figura de papas, teólogos e religiosos (entre muitos outros) ao ridículo. O livro é escrito pel a Loucura, em primeira pessoa (uma mulher, claro), exultando seu domínio e suas vitórias.
Erasmo, abençoado com uma excelente formação humanística, mobilizou seu excelente latim e seu dom em ser ágil para dar respostas prontas em assuntos polêmicos. Apesar dos problemas enfrentados pela fé católica e em um tempo no qual os protestantes clamam pela "mudança", ele desmotivou e desencorajou muitos de seus companheiros católicos.
O tratamento de Erasmo pelo Magistério Papal como uma consideração secundária desempenha um papel crucial em enfraquecer a autoridade do papado. Firme nas suas próprias razões e em sua genialidade, nunca ocorreu ao Erasmo procurar conselhos de Roma a fim de saber como seus escritos poderiam afetar aqueles que estavam em confronto contra as forças do protestantismo. Lendo seu trabalho, alguns católicos desavisados pensavam que aquela crítica explícita à Igreja era a ordem do dia.
O legado de Erasmo ilustra os perigos de reduzir a doutrina na abordagem das grandes questões do dia. Embora a Eucaristia estivesse sendo rejeitada e profanada a partir de uma extremidade à outra da Europa, Erasmo se divertiu com aqueles que tentaram explicar a transubstanciação. Deixando de lado o papel da teologia na Igreja, ele se jogou diretamente nas mãos dos dissidentes protestantes, que o consideraram um dos seus.
Esse tipo de “loucura” conduziu a trágicas conseqüências, no caso de Erasmo. Em 1535, seu amigo e antigo correspondente, Sir Thomas More, foi decapitado na Inglaterra. Os dois colegas tinham chegado a uma encruzilhada. O Rei Enrique VIII tentou coagir Thomas More a agir contra sua fé e consciência, negando o Magistério. Thomas não podia. Erasmo ficou quieto.
A caneta rápida de Erasmo ficou sem tinta durante o julgamento, a prisão e o assassinato de seu amigo Thomas More. Paralisada por covardia ou ideal, deve ter sido doloroso.
Sem dúvida, com a sua perspicácia e brilhantismo, Erasmo esperava desempenhar um papel crucial nos marcos históricos de seu tempo. Mas ele não tinha a clareza de consciência e de desejo de verdade que caracterizou o seu amigo Thomas More.
Erasmo se confortou por ter escrito aquela “loucura” e tomou um caminho fácil para o perdão, lançando culpas em erros e insensatez da juventude. Mas, enquanto São Thomas More irá ser homenageado nos altares em sua festa de 6 de julho, Erasmo será sempre lembrado como aquele que rabiscava enquanto Roma queimava.
[Elizabeth Lev ensina arte cristã e arquitetura no campus Italiano da Universidade de Duquesne e no programa de estudos católico da Universidade de St. Thomas].

Da agência de notícias ZENIT: Caráter ontológico da dignidade humana, condição para democracia.

Caráter ontológico da dignidade humana, condição para democracia.

Segundo monsenhor Elio Sgreccia.

MADRI, segunda-feira, 22 de junho de 2009 (ZENIT.org).

A dignidade humana deve-se entender a partir de seu caráter ontológico para que exista uma verdadeira democracia.
Foi o que assinalou o presidente honorário da Academia Pontifícia para Vida, Dom Elio Sgreccia, em uma mesa-redonda celebrada no dia 18 de junho na Universidade CEU San Pablo, em Madri.
Pada Dom Sgreccia, a dignidade baseada na ética ontológica “apresenta-se como algo universal”, o que não acontece “na ética dos direitos que hoje prevalece”; informou a sala de imprensa da Universidade.
Segundo o prelado, o que prevalece muitas v ezes hoje é uma ética da utilidade, em que o reconhecimento dos direitos não está sujeito à aceitação de sua realidade intrínseca, mas a valorações externas de tipo social.
O prelado referiu-se a duas realidades que derivam desse conceito equivocado da dignidade humana: a prática da eutanásia e do aborto.
Esse conceito desvirtuado modela uma visão da dignidade pessoa “em que se discute se é pessoa um homem que perdeu suas faculdades”, por exemplo.
A dignidade de um filho não deve depender de que seja “aceito por seus pais ou esteja em plenas condições”, assinalou.
O prelado opôs-se à perspectiva que identifica dignidade com “percepção do bem-estar pessoal”.
Sgreccia proclamou que “a dignidade está ligada ao fato de existir”, e não a uma “cap acidade biológica, psicológica ou qualquer outra avaliação social”.
“Disso depende a igualdade –assinalou. Apenas se a dignidade da pessoa for entendida sob essa perspectiva, é possível uma verdadeira democracia, que deve implicar que todos têm valor, até o mais frágil”.
Na opinião de Dom Sgreccia, urge “valorizar o verdadeiro peso da dignidade”. Sobretudo quando em nome dela “se suspende a ajuda ao neonato com deficiências ou a ajuda a enfermos terminais”, ou “quando se interroga sobre as condições de vida digna do enfermo terminal”.
“A dignidade do homem não aceita gradação”, argumentou, razão pela qual “o embrião tem desde o começo a dignidade própria de uma pessoa”.
Dom Sgreccia referiu-se à instrução
Dignitas Personae e recordou que as técnicas de fecundação são admissíveis quando ajudam a plena realização do ato conjugal e não o substituem.

Da agência de notícias ZENIT: Casamentos arruinados.

Casamentos arruinados.
Estudo detalha os altos custos econômicos do divórcio.
Por Padre John Flynn, LC.
ROMA, domingo, 28 de junho de 2009 (
ZENIT.org).

A separação familiar está causando anarquia social, de acordo com o discurso feito por um juiz inglês, Paul Coleridge, juiz sênior da Divisão de Família para Inglaterra e País de Gales.
Coleridge acusou pais e mães de falharem no compromisso mútuo da união num jogo de “descartar o parceiro”, o que tem deixado milhões de crianças “marcadas por toda a vida”, de acordo com um relatório do jornal Daily Mail do dia 17 de junho.
Em um discurso de incentivo ao casamento, Coleridge apelou para uma mudança nas atitudes, de modo a barrar a destruição da vida familiar.
"O que é uma questão de interesse privado em pequena escala torna-se uma questão de interesse público, quando atinge proporções epidêmicas”, afirmou.
A dimensão pública da quebra do casamento foi o tema de um relatório recente do Instituto de Casamento e Família do Canadá. Intitulado "Escolhas Privadas, Custos Públicos: Quanto uma família desestruturada custa a todos nós”, o Instituto detalhou o impacto econômico do matrimônio fracassado.
O estudo fez uma estimativa do custo da ruptura familiar em relação à despesa pública para o ano fiscal 2005-06. O impacto sobre o orçamento de ajuda às famílias com dificuldades financeiras equivale a aproximadamente 7 bilhões de dólare s Canadenses (US$6,1 bilhões) por ano.
O relatório também destacou como a separação no casamento tem um impacto econômico particularmente prejudicial para as mulheres, levando ao que ele definiu como “feminização da pobreza”.
Embora o estudo tenha se concentrado sobre os custos econômicos da união familiar fracassada, pode-se reconhecer também o mesmo impacto sobre as crianças. O divórcio não é somente ligado à pobreza, mas um grande campo de investigação mostra que as crianças são melhor criadas com a presença dos seus pais, o instituto salientou.
Impacto social
"Quando famílias fracassam, como tantas vezes hoje, cabe a nós, através de agências governamentais e instituições, pagar por esses fracassos”, comentou o relatório.<>A desagregação familiar é muito mais do que o divórcio, o estudo apontou. Inclui casais que coabitam, mães solteiras que nunca se casaram ou viveram com os pais de seus bebês.
Alguns afirmam que a estrutura familiar não importa –apontou o relatório. A vida familiar, no entanto, não é apenas uma questão de escolha de quem irá vivê-la. Diante dos dados do impacto econômico de tais decisões, é perfeitamente legal que os governos estejam preocupados com o futuro da vida familiar. Estas escolhas são mais do que apenas um acordo privado, são vitais para parte da sociedade, afirmou o estudo.
Embora programas do governo possam oferecer algum tipo apoio, eles são um fraco substitutivo para uma vida familiar estável. O instituto citou o relatório de 2005 que analisou a situação das pessoas sob o ponto de vista sócio-assistencial, na província de Nova Brunswick.
No estudo, pessoas comentaram sobre a grande perda da auto-estima e o sentimento de desamparo de estarem dependentes da ajuda social. O instituto acrescentou que a ruptura familiar leva ao que tem sido descrito como: dissolução, disfunção e ausência paterna.
O relatório canadense se refere a um estudo publicado em 2007 no Reino Unido, que analisou o problema da pobreza. Em larga escala –assinala o estudo britânico– as tentativas do governo para aliviar a pobreza falharam, a pobreza das pessoas que vivem nas margens da sociedade está, em vez disso, se tornando cada vez maior.
O estudo constatou que a desunião da estrutura familiar tem desempenhado um papel significativo no problema da pobreza no Reino Unido, levando à conclusão de que os casais, em matrimônio, obtêm melhores resultados tanto para as crianças, quanto para os adultos.
O estudo canadense reconhece que famílias intactas também exigem do estado ajuda, através de assistência social. Mas a proporção de pessoas que necessitam dessa assistência é, no entanto, muito inferior a de famílias de pais solteiros.
Impacto sobre as crianças
O Instituto comentou que, quando as leis do divórcio foram liberadas no Canadá, achou-se que o que fosse bom para os pais seria bom para as crianças. Posteriormente, a investigação empírica mostrou que este não foi o caso.
"O fato dos pais serem casados ou não incide nas crianças em muitas escalas sociais, mesmo quando fatores econômicos estão excluídos", afirma o relatório.
Dados sociais, tais como o consumo de droga, resultados acadêmicos, saúde e felicidade s&at ilde;o afetados pela estrutura familiar. Tanto as crianças como os adultos se sentem muito melhor com uma situação estável no casamento.
“O ponto do debate não deveria ser se a falta de pais casados importa para as crianças, e sim o que fazer com a realidade que isto causa”, o relatório comentou.
Infelizmente –prossegue o estudo–, a proporção de famílias com pais casados indiscutivelmente diminuiu, assim como o número de famílias de união amigável e de pais solteiros aumentou. Esta tendência é também prejudicial para a estabilidade econômica, visto que adultos casados tendem a participar mais plenamente na economia e gerar aumento das receitas fiscais.
Responsabilidade econômica
O relatório constatou que as opiniões divergem quanto aos benefícios econômicos do casamento. Mas muitos reconhecem que o matrimônio promove uma maior responsabilidade em ambos os cônjuges. Também melhora a capacidade dos dois parceiros se especializarem em dividir as tarefas e cuidar da família.
Certamente há um impacto econômico. O instituto se referiu a uma série de estudos internacionais sobre o custo da ruptura familiar. Um relatório de fevereiro de 2009 da Fundação Britânica de Relacionamentos, descrita como não-partidária, dedicada a reforçar e melhorar as relações de uma sociedade mais forte, assinalou o custo da ruptura familiar em 37,03 bilhões de libras esterlinas ($ 61,07 bilhões) anualmente.
Outro relatório, do Centro Social da Justiça de Londres, colocou o custo da ruptura familiar, no Reino Unido, a uma taxa anual de 20 bilhões de libras esterlinas ($ 32 bilhões).
Voltando ao Canadá, o Instit uto calculou que, se as rupturas familiares pudessem ser cortadas pela metade, os custos diretos do contribuinte para a redução da pobreza destinados a casais separados e pai solteiros seriam reduzidos a aproximadamente 2 bilhões de dólares canadenses ($ 1,76 bilhão de dólares americanos) anualmente.
Dados canadenses censitários revelaram que as famílias com pais unidos são as menos dependentes de ajuda governamental; as famílias com pais solteiros são mais dependentes; e as famílias com mães solteiras são ainda mais dependentes.
Mais felizes e mais saudáveis
Além disso, tal redução também reduziria grandemente o sofrimento e o trauma da ruptura familiar. "Os membros de famílias que permanecem intactas seriam mais felizes, saudáveis e prósperos, mas também há benefícios que v&at ilde;o além destas famílias", assinala o relatório.
A sociedade precisa famílias saudáveis, a fim de prosperar. "Locais em que homens adultos são maus modelos contribuem para uma cultura de machismo, violência e irresponsabilidade para os jovens, o que prejudica até mesmo as crianças que vivem com ambos os pais", alegou.
O Instituto concluiu o relatório com uma lista de recomendações. Elas se estenderam da educação para o casamento em escolas secundárias a tornar disponíveis informações para o público sobre os benefícios do casamento, e os custos do divórcio.
O relatório também apelou para o governo para publicar dados mais claros de quanto é gasto no apoio à coabitação e pais solteiros. Também recomendou a reforma do sistema fiscal para aliviar a despesa dos casais.
Os governos precisam entender a diferença entre o casamento e a coabitação, e eles deveriam promover o casamento por todos os benefícios que ele oferece a mais do que a coabitação – pede o estudo com urgência. Pontos válidos, fundamentados em forte evidência empírica.

Da agência de notícias ZENIT: Novidades sobre caso de Galileu no Arquivo Secreto Vaticano.

Novidades sobre caso de Galileu no Arquivo Secreto Vaticano em um livro apresentado hoje na Santa Sé.

Por Carmen Elena Villa.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 2 de julho de 2009 (
ZENIT.org).

Uma nova edição sobre as investigações do processo realizado com Galileu Galilei (1611-1741) foi apresentada nesta manhã em um briefing oferecido na Sala de Imprensa da Santa Sé.
O novo volume intitula-se I ducomenti vaticani del processo di Galileo Galilei (“Os documentos vaticanos do processo de Galileu Galilei”).
A edição esteve a cargo do prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, Dom Sergio Pagano.
O livro inclui uma ampla introdução de 208 páginas, uma das novidades com relação à edição ante rior, publicada em 1984.
A publicação se dá no contexto da celebração do Ano da Astronomia, declarado pela Unesco para celebrar os 400 anos do descobrimento do telescópio.
Dom Pagano parte da análise da mais recente e acreditada bibliografia que fala do caso de Galileu.
A antiga edição deste livro antecedia os pronunciamentos realizados pelo Papa João Paulo II, quando concluíram os trabalhos da comissão para analisar o caso de Galileu, entre 1981 e 1992.
Longe de apresentar novas hipóteses interpretativas sobre o caso de Galileu, o autor pretende oferecer ao leitor novos elementos que permitam compreender os documentos do processo.
Durante a apresentação do livro, Dom Pagano compartilhou com os jornalistas sua reflexão pessoal sobre o juízo e a condenação de Galileu.
“O caso de Galileu ensina a ciên cia a não se considerar professora da Igreja em matéria de fé e de Sagradas Escrituras”, declarou.
“E, ao mesmo tempo, ensina a Igreja a abordar os problemas científicos – também os relacionados com a mais moderna pesquisa sobre as células estaminais, por exemplo – com muita humildade e circunspecção”, acrescentou.
Dom Pagano recordou igualmente a situação na qual Galileu morreu.
“Morreu como católico e penitente – disse. Depois de ter escutado a sentença, Galileu disse: ‘Peço duas coisas: crer em minha reta fé e na fé de católico’.”
Este novo livro apresenta alguns documentos que foram descobertos após a abertura dos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé. Também novos materiais bibliográficos que vão da denúncia at& eacute; a condenação.
Igualmente, inclui textos e documentos da Congregação do Santo Ofício, do Arquivo Secreto e da Biblioteca Apostólica Vaticana.
Segundo Dom Pagano, todos os documentos foram relidos sobre os originais do Arquivo Vaticano, da Congregação para a Doutrina da Fé e da Biblioteca Vaticana.

Da agência de notícias ZENIT: “Caritas in veritate” faz da questão social uma questão antropológica.

Caritas in veritate” faz da questão social uma questão antropológica

Apresentação da encíclica na Espanha
MADRI, quinta-feira, 9 de julho de 2009 (ZENIT.org):

A nova encíclica do Papa não pode ser lida a partir de uma ótica econômica ou política, pois se cairia no reducionismo; deve ser lida a partir de uma ótica antropológica e teológica – indicou a professora da Universidade Pontifícia de Salamanca em Madri, María Teresa Comte Grau, durante a apresentação da encíclica realizada nesta quarta-feira na sede da Conferência Episcopal Espanhola, em Madri.
“A questão social se converteu em uma questão antropológica, o que nos convida a perguntar-nos pelo homem, a superar o reducionismo psicológico para redescobrir a dimensão espiritual do ser humano”, declarou.
Para Compte, “ a proposta da encíclica é um humanismo cristão cujo centro é Deus”.
Neste humanismo proposto por Bento XVI, “o homem reconhece e aceita que, para desenvolver-se como tal, precisa de algumas condições sociais que lhe permitam crescer em toda a sua integridade, em todas as suas dimensões”.
Também falou deste tema o porta-voz da CEE, Dom Juan Antonio Martínez Camino, bispo auxiliar de Madri, na coletiva de imprensa de apresentação.
Para o prelado, na proposta que o Papa faz, “a questão fundamental é se o homem é um produto de si mesmo ou se está em dependência de Deus”.
“Se o ser humano fosse um produto de si mesmo, o progresso consistiria em fazer coisas, na vitória da técnica”, disse.
E acrescentou: “Mas se depende de Deus, o progresso é uma vocação; o ser humano está chamado a ser mais, ao progresso completo, porque escutou o chamado de Deus”.
“Daí radica o verdadeiro humanismo – sintetizou. Sem vida eterna, que é a vocação do ser humano, não há progresso.”
Dom Martínez Camino se referiu também à lei moral natural da qual o Papa fala em sua encíclica. Advertiu que não deve ser confundida com as leis da natureza, com as leis físicas, mas que “responde à gramática da natureza humana na que se expressa a linguagem divina”.
“Aí está a base da dignidade do homem – resumiu. Por isso, os direitos do homem não podem se fundamentar somente nas deliberações de uma assembleia de cidadãos.”
O prelado também recolheu a indicação do Santo Padre segundo a qual “não haverá respeito ao meio ambiente se a ecologia humana não for cultivada na família e na escola, de acordo com a verdadeira natureza do ser humano”..
Globalização
Marcando a encíclica social na história da doutrina social da Igreja, Dom Martínez Camino afirmou que Caritas in veritate é uma “homenagem a Paulo VI, autor da Populorum Progressio, que deve ser considerada como a Rerum novarum de nosso tempo”.
O prelado afirmou que “o diagnóstico de Paulo VI continua sendo válido”, e Bento XVI “o amplia à nova situação mundial, de maior proximidade e unidade”.
“Tudo está mais perto; fala-se de deslocalização dos mercados, de globalização, mas a maior relação entre todos os homens no mundo não é sempre igual a uma maior proximidade na solidariedade – explicou. Este é o diagnóstico e o desafio.”
O prelado destacou que, segundo explica Bento XVI no texto, “a nova conjuntura global oferece novas possibilidades que não foram aproveitadas até agora”.
“A encíclica se propõe como uma ajuda para uma necessária e exigente reformulação das estruturas econômicas e sociais no mundo, que está pendente”, assegurou.
Dom Martínez Camino assinalou como o Papa aponta ao relativismo físico e moral como base das contradições do sistema atual; contradições que fazem que, por um lado, sejam reivindicados supostos direitos e se pretenda que as instituições públicas os promovam, enquanto há direitos fundamentais, como o direito a comer ou ao trabalho, que são vulneráveis em grande parte da humanidade, denunciou.
Como já apontou Paulo VI e confirma agora Bento XVI, disse o bispo espanhol, “a causa mais fundamental da injustiça não é de ordem material; a mais radical é a falta de fraternidade entre os homens”.
A razão por si só é capaz de estabelecer uma convivência entre os homens, mas a irmandade unicamente nasce de uma vocação transcendente de Deus Pai, o primeiro que nos ensinou o que é a caridade fraterna, disse o prelado, remetendo-se à encíclica.
“Sem fraternidade não há desenvolvimento humano – disse em outro momento. Excluindo Deus das relações humanas, não se pode entender o ser humano nem o desenvolvimento.”
Neste sentido, a professora Compte indicou que a relação de fraternidade que une os homens “é a razão do compromisso social e público do cristianismo”.
E destacou uma afirmação da encíclica: “A caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja”.
Assinalou que “esta verdade tem uma dimensão prática que se concretiza em dois princípios que orientam a doutrina social da Igreja: a justiça e o bem comum”.
A “justiça entendida não só como dar ao homem o que merece em função do que dá, mas dar-lhe o que lhe é devido pelo simples fato se sê-lo”.
E o bem comum entendido como o resultado de um desenvolvimento livre, sem travas, do homem, de todos os homens em condições ambientais, materiais e espirituais que lhes permitam chegar a ser o que estão chamados a ser, explicou.
Para a professora, o Papa escreveu a encíclica para responder a um homem que vive em uma sociedade cada vez mais complexa e tecnificada, fruto da globalização e da acentuação da interdependência.

2009/07/11

Dom Guilherme Werlang explica a participação da CNBB no Simpósio Internacional Mudanças Climáticas e Justiça Social

CNBB: Papa Bento XVI promulga Encíclica Social.


O Papa Bento XVI publicou hoje, 7, uma nova Encíclica, a terceira de seu pontificado. As duas anteriores foram: “Deus caritas est”, de 2006, e “Spe salvi, de 2007, que tiveram as virtudes teologais como princípios motivadores.
A Encíclica hoje publicada, intitulada CARITAS IN VERITATE, é dirigida à Igreja e a todos as pessoas de boa vontade e trata do desenvolvimento humano integral fundado na caridade e na verdade. Centrada especificamente em temas sociais, a Encíclica se insere no conjunto da Doutrina Social da Igreja.
Assinada no dia 29 de junho, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a Encíclica pretende aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento alcançado em nossa época, à luz da caridade na verdade.
Após uma introdução em que situa a caridade e a verdade como princípios ao redor dos quais se constrói toda a doutrina social da Igreja, o Papa desenvolve a reflexão em seis capítulos. Inicia recordando a mensagem da Populorum Progressio, encíclica de Paulo VI (1967), acerca do progresso dos povos. A partir dai considera os problemas atuais do desenvolvimento. Trata da fraternidade e desenvolvimento econômico, no terceiro capítulo. Em seguida considera o desenvolvimento dos povos em relação aos direitos e deveres, ao ambiente, à técnica e à colaboração solidária da família humana. Na conclusão o Santo Padre recorda que todos, mas os cristãos de modo especial, são chamados a construir um humanismo integral. A disponibilidade para Deus se abre à disponibilidade para os irmãos e para uma vida entendida como tarefa solidária e jubilosa, diz o Papa. Por outro lado, a indiferença a Deus e o ateísmo correm o risco de redundar em desconsideração ao ser humano e aos valores da vida e se constituir como os maiores obstáculos ao desenvolvimento.
Nesta Encíclica o Santo Padre mostra que é necessário promover um humanismo integral que concilie o desenvolvimento social e econômico com o respeito pelo ser humano e que sejam superadas as profundas disparidades entre ricos e pobres, expressão de injustiça e causa de exclusão de pessoas e povos.
A “caridade” é aplicada às realidades do trabalho, da economia e do desenvolvimento. No âmbito da economia, as leis de mercado, que privilegiam o lucro, não podem ser consideradas em detrimento do ser humano e do bem comum. É necessário perceber quais são os valores e as regras segundo as quais o mundo moderno deve se regular a fim de realizar um novo modelo de desenvolvimento, mais atento às exigências da solidariedade e mais respeitador da dignidade humana. Nesse sentido, o Papa chama à reconsiderar paradigmas econômico-financeiros, predominantes nos últimos anos, que tiveram sua fragilidade evidenciada pela atual crise econômica. Além dos aspectos referentes à macro-economia, o Papa considera a necessidade de superar a avareza e a ganância, expressões da idolatria do ter. Num mundo globalizado é necessário globalizar também a solidariedade, construindo uma consciência ética alicerçada no Evangelho.
A atual sociedade globalizada registra desequilíbrios paradoxais e dramáticos. Quando paramos para analisar as problemáticas ligadas ao progresso moderno, sem excluir a elevada poluição e o consumo irresponsável dos recursos naturais e ambientais, parece evidente que somente um processo de globalização atento às exigências da solidariedade pode assegurar à humanidade um porvir de autêntico bem estar e de paz estável para todos, diz o Papa. Questões como essas exigem atenção de todos, mas, devido às exigências do Evangelho, dos cristãos em particular.

CNBB: Em audiência pública, papa fala de questões sociais e reunião do G-8.

“Temos de repensar o desenvolvimento de uma forma abrangente. A encíclica não propõe soluções técnicas, mas solicita o respeito de princípios fundamentais, do meio ambiente e das leis, para construir um verdadeiro desenvolvimento humano, e principalmente, para lutar contra a fome e a insegurança alimentar”.
As palavras foram ditas pelo papa Bento XVI nesta quarta-feira, 8, em audiência pública com fiéis, romanos e turistas, na Sala Paulo VI. Durante seu discurso, o pontífice falou da Encíclica Caridade na Verdade. Ele disse que o homem e a sociedade são renovados exclusivamente em Cristo.
O pontífice afirmou que somente o filho de Deus é a raiz do desenvolvimento humano integral e autêntico. “Força dinâmica que supõe a justiça e, ao mesmo tempo, completa, com a gratuidade do dom e do perdão”.
Bento XVI saudou os peregrinos em inglês e orações de modo especial aos líderes do G-8, para que suas decisões promovam a justiça e desenvolvimento, especialmente aos mais pobres. “A humanidade é uma família na qual todo programa de desenvolvimento integral deve levar em conta o crescimento espiritual e a força motriz da caridade na verdade”.
Em alemão e espanhol o pontífice apresentou sua Encíclica como um documento que analisa a reflexão eclesial sobre importantes questões sociais.
Nos idiomas esloveno, eslovaco, polonês e português, o papa saudou: “Acolho cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa nomeadamente os grupos vindos do Brasil e de Portugal para encontrar o Sucessor de Pedro. Que todos vós possais, em Cristo, viver a caridade na verdade, contribuindo assim para uma real promoção do bem comum. Jesus é o Homem novo que abre as portas para a verdadeira renovação da humanidade. Desça a Sua Bênção sobre cada um de vós e vossas famílias”.

CNBB: Brasília acolherá em agosto a Semana Filosófica

Entre os dias 17 e 21 de agosto acontecerá em Brasília a Semana Filosófica. O tema do encontro será “Fenomenologia da Convivência e Alteridade”.
A grade de programação contará com a participação de palestrantes nacionais como: doutor Frei Marcos Aurélio Fernandes; doutor professor Miguel Mahfoud, e internacionais: doutor padre Ezio Bellini Sontino (Itália).
No encerramento da Semana Filosófica haverá uma missa de encerramento presidida pelo Núncio Apostólico, dom Lorenzo Baldisseri.
Outras informações e inscrições falar com padre Marco Antônio Forero, (
foremar@hotmail.com), (61) 3366-9901, diácono Rogério Alves Gomes (iodacruz@hotmail.com) (61) 8455-6674 ou Elizabete Silva, (bet.silva@hotmail.com) (61) 3366-9901.

CNBB: Plano de Mobilização Social pela Educação é lançado no Rio de Janeiro.

No dia 22 de junho, às 16h, foi lançado o Plano de Mobilização Social pela Educação, no plenário Teotônio Vilela, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, uma iniciativa da Comissão Permanente de Educação e Cultura da Câmara Municipal do Rio. Compunham a mesa, além de alguns deputados, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta; a assessora especial do Ministério da Educação, Oroslinda Goulart; o professor e presidente da Associação de Escolas Católicas do Rio de Janeiro, da Pastoral da Educação do Regional Leste I da CNBB (Rio de Janeiro) e responsável pelo projeto no Estado, Sérgio Maia; e pelo presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro (Conic-Rio), pastor José Roberto Cavalcante.
Cerca de 150 pessoas estiveram presentes no evento. Todos receberam o material da campanha: o “Manual do Mobilizador” e a cartilha “Acompanhem a Vida Escolar de seus Filhos”.
“A Igreja Católica está presente socialmente nesta questão, solicitada pelo Ministério da Educação. O segredo de um país está na educação de seu povo, e essa é uma política de Estado que interessa a todos os segmentos da sociedade. Por isso, este evento na Câmara, promovido pela Comissão de Educação e Cultura, através do vereador Reimont Santa Bárbara, deve ecoar por todo o Brasil”, afirmou dom Orani Tempesta.
O professor Sérgio Maia ressaltou que a Igreja participa do Comitê de Mobilização e tem um Comitê próprio junto à Associação de Escolas Católicas. Através da Pastoral da Educação, são realizadas no estado do Rio de Janeiro oficinas de dois meses para capacitação de multiplicadores. Na segunda semana de agosto haverá mais uma oficina desse tipo na região metropolitana do Rio de Janeiro, com data ainda a confirmar.
O Pastor José Roberto Cavalcante lembrou que nem sempre a oração resolve tudo e que é preciso ação: “Há casos em que a oração é um pedido de que Deus abençoe nossa ação, nosso esforço, e a educação é um desses casos. Se a gente ficar só orando para que o Brasil melhore, não vamos ser bem sucedidos. Por maior que seja a igreja, nenhuma confissão cristã tem condição de fazer sozinha uma transformação no nível que o país precisa e espera. Portanto, vamos orar para que isso dê certo e trabalhar para que nossa oração seja abençoada, se colocando à disposição para contribuir nos projetos propostos”.
Oroslinda Goulart destacou que o projeto tem um plano para a mobilização da sociedade pela educação que traça 28 diretrizes, todas contidas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O objetivo é reproduzir boas práticas encontradas em escolas públicas para todo o sistema de ensino. Além disso, pretende ajudar a entender como as famílias podem auxiliar os filhos tanto dentro de casa como na escola. O intuito é melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), para que menos alunos repitam o ano e, consequentemente, mais alunos aprendam. Segundo ela, 35 milhões de brasileiros na faixa de 6 a 14 anos estão fora da escola, o que reforça a importância desse trabalho. Para isso o trabalho dos mobilizadores é fundamental, pois eles podem entrar em contato com as famílias.

O projeto
O Plano de Mobilização Social pela Educação teve como base o Plano de Mobilização de Igrejas Cristãs pela Educação, um projeto que nasceu do esforço conjunto das confissões cristãs, que buscaram definir uma estratégia comum de mobilização social pela educação. O Plano de Mobilização tomou como referência as diretrizes do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007 pelo Ministério da Educação.

CNBB: Cadastro de Pós-Graduados.

O PORQUÊ DO CADASTRO DE PÓS-GRADUADOS
A Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e a OSIB, esta vinculada à Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, têm a intenção de constituir um banco de dados, dinâmico e atualizável, sobre pessoas ligadas à Igreja que tenham pós-graduação em áreas diversas de conhecimento. Esse cadastro possibilitará melhor visibilidade e aproveitamento dos estudos de cada um e, conseqüentemente, um melhor serviço à Igreja.
É importante que essa iniciativa seja amplamente divulgada entre o clero, nos seminários, nas universidades e em outras instituições de ensino ligadas à Igreja a fim de que se realize o cadastro dos clérigos que possuam especialização, mestrado ou doutorado e também de religiosos e leigos, nestas mesmas condições, que atuam em instituições de ensino da Igreja.
Utilidade desse registro:
Oportunamente, teremos facilidade em ter acesso a informações sobre as pessoas e suas áreas de conhecimento e também identificar as áreas em que mais faltam pessoas preparadas. Será também mais fácil obter algumas informações. Você poderá localizar, por exemplo:
Todos os que possuem doutorado em uma determinada área de conhecimento.
Quem possui mestrado, num regional específico.
Quais são os professores que lecionam esta ou aquela matéria, no Estado.
Ou fazer uma pesquisa por nomes ou dioceses.
Conservando-se a senha utilizada será possível, posteriormente, corrigir, completar, atualizar e consultar os dados registrados.
Realize seu cadastro e divulgue a informação para que outros também o façam. Agradecemos sua atenção:
Pe. Wilson Angotti (pela Comissão para a Doutrina da Fé)
Pe. Paulo Bosi Dal'Bo (pela OSIB)

2009/07/10

Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica


O Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica é resultado da ação conjunta do Ministério da Educação (MEC), de Instituições Públicas de Educação Superior (IPES) e das Secretarias de Educação dos Estados e Municípios, no âmbito do PDE - Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação – que estabeleceu no país um novo regime de colaboração da União com os estados e municípios, respeitando a de autonomia dos entes federados.
A partir de 2007, com a adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, os estados e municípios elaboraram seus respectivos Planos de Ações Articuladas, onde puderam refletir suas necessidades e aspirações, em termos de ações, demandas, prioridades e metodologias, visando assegurar a formação exigida na LDB para todos os professores que atuam na educação básica.
Os Planejamentos Estratégicos foram aprimorados com o Decreto 6.755, de janeiro de 2009, que instituiu a Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, com a finalidade de organizar, em regime de colaboração da União com os estados, Distrito Federal e municípios, a formação inicial e continuada desses profissionais.
O Plano Nacional de Formação é destinado aos professores em exercício das escolas públicas estaduais e municipais sem formação adequada à LDB, oferecendo cursos superiores públicos, gratuitos e de qualidade, com a oferta cobrindo os municípios de 21 estados da Federação, por meio de 76 Instituições Públicas de Educação Superior, das quais 48 Federais e 28 Estaduais, com a colaboração de 14 universidades comunitárias.
Por meio deste Plano, o docente sem formação adequada poderá se graduar nos cursos de 1ª Licenciatura, com carga horária de 2.800 horas mais 400 horas de estágio para professores sem graduação, de 2ª Licenciatura, com carga horária de 800 a 1.200 horas para professores que atuam fora da área de formação, e de Formação Pedagógica, para bacharéis sem licenciatura. Todas as licenciaturas das áreas de conhecimento da educação básica serão ministradas no Plano, com cursos gratuitos para professores em exercício das escolas públicas, nas modalidades presencial e a distância.
O professor fará sua inscrição nos cursos por meio de um sistema desenvolvido pelo MEC denominado Plataforma Paulo Freire, onde também terá seu currículo cadastrado e atualizado. A partir da pré-inscrição dos professores e da oferta de formação pelas IES públicas, as secretarias estaduais e municipais de educação terão na Plataforma Freire um instrumento de planejamento estratégico capaz de adequar a oferta das IES públicas à demanda dos professores e às necessidades reais das escolas de suas redes. A partir desse planejamento estratégico, as pré-inscrições são submetidas pelas secretarias estaduais e municipais às IES públicas, que procederão à inscrição dos professores nos cursos oferecidos.

2009/06/27

Do site da Agência de Notícias Zenit: Aberta Casa Dom Bosco na Tailândia.

Aberta Casa Dom Bosco na Tailândia

Centro de formação profissional e educação para jovens

CHIANG MAI, quinta-feira, 25 de junho de 2009 (ZENIT.org). - O bispo da diocese de Chiang Mai (Tailândia), Dom Xavier Francis Vira Arpondratana, acompanhado de 16 sacerdotes e 700 pessoas, celebrou oficialmente a abertura da Casa Dom Bosco.
A Casa Dom Bosco de Chiang Mai, projeto iniciado em 2006, é um centro de educação para jovens, criado com o objetivo de ajudá-los a se formar por meio um programa de três anos.
Os jovens terão a oportunidade de aceder a conhecimentos e competências profissionalizantes, visando ao futuro sustento de uma família e a viver com espírito de dignidade em sua terra.
Atualmente, a Casa Dom Bosco de Chiang Mai conta com três dormitórios para jovens (cada um acolhe 20 a 25 pessoas), com seus respectivos serviços. Somando-se as outras dependências, acolhem-se cerca de 100 pessoas. Hoje, 70 jovens estão inscritos nos programas.
Todos eles vêm das tribos das colinas e dos grupos étnicos que compõem a região. Os jovens são animados a crescer física, intelectual e moralmente como pessoas plenas, destacam os salesianos.

Do site da CNBB: Programa de educação para o amor é apresentado à CNBB.

Do site da CNBB:
Programa de educação para o amor é apresentado à CNBB
A CNBB começou a discutir o programa educacional “Aprendendo a amar”, criado pela organização internacional Alliance for the family (AFF). Nos dias 19 a 21 de junho, um grupo de 20 pessoas se reuniu em Brasília (DF) para conhecer o projeto que foi apresentado pelo vice-presidente da AFF, Daniel Kelley.
“Queremos apresentar à sociedade brasileira um programa educativo da afetividade e da sexualidade, fundamentado na visão de pessoa humana à luz do magistério da Igreja”, explica a assessora de Projetos Sociais, Institucionais e Captação de Recursos da CNBB, Sônia Minder, coordenadora do projeto.
O vice-presidente da AFF, Daniel Kelley, apresentou ao grupo da CNBB o programa que é composto por 12 livros, do professor e do aluno, para o ensino fundamental e médio. “O conteúdo dos livros conteúdo aborda valores democráticos, cidadania, tolerância, felicidade, técnicas para tomada de decisões, drogas, HIV/Aids dentre outros”, explica Minder.
O programa “Aprendendo a amar” é oferecido às escolas e os professores recebem treinamento sobre como aplicá-lo. “Queremos compartilhar com os brasileiros o programa de educação e de valores para jovens de 6 a 16 anos”, disse o vice-presidente da AFF. “Nosso programa possui três características: é intensivo, com uma hora semanal; extensivo, durante todo o ano escolar; e se baseia em histórias”, esclareceu.
Presente em 14 países da América Latina, África e Europa, o programa da AFF foi desenvolvido pela venezuelana Cristine Vollmer, membro do Pontifício Conselho para a Vida. Segundo Kelley, o programa já atinge mais de 70 mil alunos nos países em que foi implantado.
Um novo encontro do grupo está agendado para os dias 11 a 13 de setembro. Com o empenho pessoal do secretário geral da CNBB, a equipe reúne profissionais das áreas de teologia, psicologia, pedagogia, medicina, além educadores e agentes de pastoral.

Trabalho da Disciplina Sociologia da Religião, na Pós-Graduação Latu Sensu em Ciências da Religião do UNIFLU/FAFIC

Compartilho um humilde trabalho em Sociologia da Religião ao Prof. Dr. Adailton Maciel Augusto, que fiz na Pós-Graduação Latu Sensu em Ciências da Religião do Centro Universitário Fluminense/Faculdade de Filosofia de Campos (UNIFLU/FAFIC) que estou cursando. Não reparem pois há muito o que corrigir até porque o fiz na madrugada e no estourar do prazo de entrega. Em todo caso o apresento na sua originalidade:

Fonte:
* MENDONÇA, Antônio Gouvêa. Dois pioneiros e un passeur de frontières. In: TEIXEIRA, Faustino (org.). A(s) ciência(s) da religião no Brasil: afirmação de uma área acadêmica. 2ed.. São Paulo: Ed. Paulinas, 2008, p. 251 – 295. (Col. Religião e Cultura).


No universo acadêmico as Ciências da religião apresentam-se como uma área particularmente polêmica, sobretudo ao campo das Ciências Sociais, que no caso deter-nos-emos na Sociologia e História enquanto ciência colaboradora para o pensamento sociológico. Até porque não há consenso se a Religião pode ser tomada como objeto de investigação sociológica, visto que as próprias “Ciências da Religião” é uma área nova e polêmica, pelo próprio modo de ser e dos agentes que se propõe a estudá-la, partindo do princípio que enquanto “ciência”, segundo os moldes estabelecidos de constituição do modus perandi da ciência enquanto um saber de fato, há três princípios básicos que é a pretensão de neutralidade, método e objeto reconhecidamente como o que apresentando elementos de acordo com o “cânon” da ciência.
Falamos que não há consenso sobre a Religião enquanto objeto propriamente científico para ser investigado, pois a falta do consenso não se encontra somente no campo científico, pois até no plano filosófico há divergências no que tange a própria existência e validez da religião enquanto ela apresenta-se como promotora de sentido nas populações durante os séculos. Não é a toa que já se determinou a “morte de Deus”, o fim da entidade base da perspectiva existencial e epistemológica dos humanos durante a história e o processo de secularização foi que a transfigurando e re-significando a “religião” na contemporaneidade. Essa transfiguração apresenta uma confrontação conceitual no que diz respeito aos trâmites intelectivos próprios da religião enquanto dimensão constitutiva do humano. Alguns pensadores propõem que numa perspectiva materialista chegaremos à superação da religião e seu fim. (Marx)
É nesse clima que estamos situados, um clima de instabilidade e compreensões diversas sobre “religião” e as Ciências da Religião (ciências compreendidas também no seu original como conhecimento) têm uma grande produção de pesquisas que versam na elucidação da validade de um objeto para investigação e que a “Academia” pode e também “deve” levar em consideração.
No campo das Ciências Sociais, historicamente temos a influência francesa na investigação a respeito da Religião como objeto, que no Brasil, sobretudo na Universidade de São Paulo, os estudos de Roger Bastide, Henri Desroche e Émile-Guillaume Leonard, os dois primeiros cientistas sociais (sociólogos) e um historiador.
Roger Bastide, pensador que deu o início à sociologia da religião no Brasil, pois partindo de Émile Durkheim toma a religião como fato social, sendo assim pôde ser tomado como objeto de investigação da sociologia: “Bastide, embora busque situar-se o mais firmemente possível nos limites da sociologia, abre sulcos na direção da interdisciplinaridade indispensável para nossos objetivos atuais”. (p. 256)
A fundamentação que justifica que a religião pode ser estudada como objeto de investigação sociológica está na premissa de que esta investigação seria pautada no estudo das representações sociais das “divindades”. Mas há a problemática da relação que se estabeleceu entre sujeito e objeto, visto que há a pretensão de neutralidade científica (cientificismo ortodoxo), e esta relação pode comprometer a compreensão advinda da descrição do fenômeno em questão. Dizemos pretensão de neutralidade, pois um pensador alemão chamado Gadamer (contemporâneo nosso) em sua obra prima “Verdade e Método”, coloca em causa esta pretensão de neutralidade no conceito “espírito histórico”, que não invalida a “epoqué” (suspensão de juízo), mas disciplina na elucidação do lugar de fala e o que constitui essa fala, portanto o fato do pesquisador professar um credo ou não, de modo nenhum invalida a investigação ao objeto, mas o qualifica enquanto se tem a consciência do lugar de fala e o conteúdo que se fala para daí aos que analisarem a pesquisa validarem o grau de distanciamento e honestidade intelectual da descrição do fenômeno.
Bastide segue o método comparativo, que apesar de ter seguido uma perspectiva “evolucionista” da escola da História das Religiões, ele se atém à utilidade metodológica em compreender uma religião pela outra com o escopo de entender semelhanças e dessemelhanças, esse método consiste em cotejar as crenças e as práticas, buscando pôr em relevo as dessemelhanças, ao contrário das semelhanças como poderia parecer mais atraente, esse método trabalha, também, com pares em todas as religiões: sagrado e profano, positivo e negativo, e assim por diante. Nesse ponto, sugerimos a obra de João Batista Libânio, “Formação da Consciência Crítica” (vol. 1), onde ele desenvolve uma análise das representações provenientes dessa dicotomia da realidade pelo esquema mental da religião em um dado momento mental.
De sua pesquisa, Bastide, traz para compreensão do fenômeno religioso o conceito proveniente da relação “Sagrado instituínte e Sagrado instituído”, onde percebe-se a tensão entre o instituído e a perspectiva do poder e o controle ao instituínte que produz e tem a possibilidade re-significar o Sagrado, assim percebe-se o movimento dialético presente neste ir e vir, pois o instituínte num dado momento torna-se instituído e no momento em que é instituído procura regular e/ou tolher o instituínte mediante a possibilidade de mudança do “status quo”, reestruturar as forças de poder e assim “encarnado” nas relações sociais.
Henri Desroche, que foi tomado como “un passeur de frontières”, por não ter tido como Bastide “anos brasileiros”, mas passou muitas vezes pelo Brasil colaborando com suas investigações na descrição e compreensão da religião, sobretudo do campo religioso brasileiro. Ele voltou sua atenção para os movimentos messiano-melenaristas e o cooperativismo: que “são expressões da esperança humana num mundo mais humano e igualitário: o primeiro cultiva a esperança sobrenatural na história e o segundo age no sentido do igualitarismo social”. (p. 280)
Desroche já retoma a discussão ao quesito sujeito que investiga, que para ele, o investigador para aprofundar bem seu estudo da religião tenha pelo menos uma vez na vida ter passado por uma profissão de fé, que o instrumentalizará na compreensão do fenômeno religioso de “dentro” da perspectiva religiosa e sua linguagem, que o habilitará, ao fazer a “cisão”, que nós chamamos de “epoqué” ao Sagrado instituído e o Sagrado instituínte”, (como o propõe Bastide), ao observar e refletir sobre esse fenômeno, saiba do que se trata.
Para não tornar-se por demais enfadonho, fastidioso e não cairmos no risco de um pontilhismo, nessa nossa exposição, vamos elencar os elementos essenciais de Desroche que são quatro: esperança, deuses de homens, homens de espera e religiões atestadoras e contestadoras. Claro que todas sob a base da compreensão do conceito de “esperança” que fundamenta o pensamento de Desroche.
Émile-Guillaume Léonard, considerado como o maior historiador do protestantismo, contribuiu para a compreensão do fenômeno religioso e do campo religioso brasileiro, como “iniciador da historiografia protestante no Brasil nos trilhos da pesquisa científica, pois até então os historiadores do protestantismo eram formados em teologia e limitavam-se à uma história confessional, apologética ou polêmica e edificante”. (p. 288)
“Quanto ao conteúdo do pensamento histórico de Léonard, três questões assumem relevância para o estudo da religião: primeiro, que a Reforma foi uma rebelião de leigos, príncipes e camponeses, e transitou pelo história na esteira do testemunho e obras de grandes homens que quase foram condenados pelas Igrejas ou postos em dificuldades por elas (1964, p. 63); segundo, que a salvação do mundo não está no ecumenismo, no confessionalismo e nem no comunismo, mas nos limites da Palavra de Deus; terceiro, que o que interessa no estudo da religião é o comportamento da massa de fiéis, dos ‘marginais’ da instituição religiosa”. (p. 289)
“Embora o objeto histórico de Léonard seja o cristianismo protestante, seu ponto de vista sobre o recuo constante dos homens às origens da religião (profetismo, laicismo, intervenção do Espírito) é útil para o estudo de qualquer religião”. (p. 290).No que vimos, refletimos, analisamos e apresentamos neste trabalho, cabe-nos findar tomando como posição que estes senhores descritos supra, apresentaram elementos justificadores e plausíveis para admitir que a religião, enquanto fenômeno humano, como um objeto para a ciência estuda-lo e levá-lo em consideração, pois esse fenômeno (a religião) possui uma profunda influência e condução nas relações sociais, portanto, o que se pressupõe que há posições presentes na Academia hoje tão dogmática em rejeitar a religião, pois na verdade tenta-se encobrir, com muita retórica, pré-conceitos e questões mal-resolvidas em referência à religião. É interessante que esta negação da religião enquanto objeto de investigação demonstra por parte dos mesmos opositores, como já dissemos, estarem imbuídos do mesmo comportamento dogmático de mesma natureza ao evidenciado em muitos indivíduos religiosos, dos quais criticam tanto. No que diz respeito a essa compreensão do comportamento dogmático em sua essência, pois de forma muito reducionista do conceito se compreende comportamento dogmático somente aos religiosos e não se trata só dos religiosos, mas todo aquele que engessa verdades e delas não dispõe distanciamento crítico. Como sugestão, oferecemos para aprofundamento do tema a obra do pensador Gerd A. Bornhein, “Introdução ao filosofar: o pensamento filosófico em bases existências”.

2009/06/07

Curso de Extensão em Ensino de Filosofia e Sociologia na UENF

Ainda dá tempo de quem estiver interessado, mesmo não sendo da área, para inscrever-se. Não vamos perder a oportunidade de entender o que vem a ser Ensino de Filosofia e Sociologia.
Recebí de minha amiga, Profa. Renata Saul o seguinte e-mail que compartilho com todos e todas:

Caríssimos(as),
com prazer, que em nome da equipe de pesquisa do Professor Dalton, venho convidá-los(as) a participar do Curso de Extensão sobre: Como promover a educação filosófica e a educação sociólogica no ensino médio.
Teremos como palestrantes, professores convidados da área de filosofia e de sociologia da UERJ, UENF, UNIBENNETT, Colégio Pedro II, IFF, UNESP, SEAF, UFES e representantes da Rede Estadual do Estado do Rio de Janeiro.
Iniciaremos o Curso no próximo dia 04 de Junho, quinta feira, às 13 horas, no auditório da Casa Ecológica, na UENF, com a mesa: Da educação filosófica e da educação sociólogica no ensino médio, que contará com a presença do Professor Dndo. Diogo Ramos de Oliveira(UNESP) e do Professor Dr Dalton José Alves.
As inscrições serão feitas neste e-mail que segue: extensao.
uenf@yahoo.com.br e/ou no local.
As vagas serão limitadas. No ato da inscrição, por favor, pedimos nome completo, sem abreviações. Entregare mos certificados mediante 75 por cento de participação ao fim da programação.
Estaremos entrando em contato.
Peço por favor, que divulguem este e-mail.
Att,
Renata Saul e equipe de pesquisa.

Ratificando:

CURSO DE EXTENSÃO: COMO PROMOVER A EDUCAÇÃO FILOSÓFICA E A EDUCAÇÃO SOCIOLÓGICA NO ENSINO MÉDIO

EIXOS TEMÁTICOS:
* O papel do estudo dos clássicos (a teoria) em sala de aula; Temas e Problemas da Atualidade.
* Aspectos Teóricos/Conceituais e Didático-Metodológico dos trabalhos na disciplina em sala de aula.

GRATUITO - VAGAS LIMITADAS

DATAS: 5 encontros – 04/06/09, 18/06/09, 25/06/09, 02/07/09 e 09/07/09. Sempre às quintas-feiras, de 13h às 17h30.

LOCAL: UENF – Auditório da Casa Ecológica.

PÚBLICO-ALVO:
Professores de Filosofia e/ou de Sociologia do ensino médio da rede pública ou particular da Região NF-1; graduandos ou pós-graduandos em Filosofia ou Sociologia, e áreas afins.

INSCRIÇÕES:
Serão feitas através do envio dos seguintes dados (nome completo, endereço, tel. de contato, formação, instituição) para o email: extensao.uenf@yahoo.com.br e também no dia de abertura do evento.
HAVERÁ ENTREGA DE CERTIFICADOS.

2009/05/22

Prêmio Este Blog é uma Jóia.


Nossos sinceros agradecimentos ao prêmio que este humilde blog recebeu pela indicação da colega e blogueira, Profa. Luciana (do seu blog: http://lucianaprofessora.blogspot.com/) e do Blog "Por uma Campos moralizada, digna e justa" (http://dignidadecampos.blogspot.com) que tem como autor o blogueiro que usa o pseudônimo: "Dignidade Campos dos Goytacazes".
Seguem algumas regras do prêmio:

1- Publicar o selo;

2- Fazer o Link de quem ofereceu;

3- Passar a dez (10) amigos blogueiros;

4- Avisar aos premiados.

Abaixo segue nossa recomendação aos seguintes blogs ao prêmio:
Elder Castro (http://eldercastro.blogspot.com/);
Geografia Fluminense (http://geografiafluminense.blogspot.com/);
Razão e Crítica (http://razaoecritica.blogspot.com/);
Silvana... Pedagoga sim... (http://silvanaeternamente.blogspot.com/);
Somos Dom Bosco que caminha (http://catequesesalesianocampos.blogspot.com/);
Por uma Educação de qualidade e sem Ideologias políticas (http://umaeducadora.blogspot.com/);
Pelo corredor da Escola (http://pelocorredordaescola.blogspot.com/);
Blog da Professora Hilda Helena (http://professorahildahelenasempre.blogspot.com/);
Aspectos 2.9 (ao companheiro Wesley Machado) (http://www.aspectos.blog.br/);
Críticas do Cotidiano (http://criticas-do-cotidiano.blogspot.com/).

2009/05/21

Prêmio Blog Dorado.

Nossos sinceros agradecimentos ao prêmio que este humilde blog recebeu pela indicação da Filósofa e Socióloga de São Paulo, Marise Von (do seu blog: http://filosofarpreciso.blogspot.com).

O mote de criação do prêmio é o seguinte:
"É um prêmio que homenageia os melhores blogs e tem sua simbologia nas cores que utiliza. A cor azul representa paz, profundidade e imensidão. A cor dourada a sabedoria, a riqueza e a claridade das idéias. O prêmio em si representa a união entre os blogueiros."

Faço as palavras da Profa. Marise Von as minhas: "Aos que o aceitarem, agradeço antecipadamente e passo a enunciar as regras: "Colocar o prêmio em situação visível ou linká-lo; anunciar através de um link, o blog que o premiou e premiar até outros 15 blogs, avisando ao blogueiro sobre a premiação. 'Gostaria de dar o prêmio a todos,... meus indicados são os seguintes blogs, aos quais encaminho juntamente com a premiação, meus votos de felicidades e paz'".

Abaixo segue nossa recomendação aos seguintes blogs ao prêmio:

Blog do Roberto Moraes (http://robertomoraes.blogspot.com/);
Silvana... Pedagoga sim... (http://silvanaeternamente.blogspot.com/);
Somos Dom Bosco que caminha (http://catequesesalesianocampos.blogspot.com/);
Por uma Educação de qualidade e sem Ideologias políticas (http://umaeducadora.blogspot.com/);
Blá, blá, blá do Barretão (http://ericobarreto.blogspot.com/);
Blog da Professora Hilda Helena (http://professorahildahelenasempre.blogspot.com/);
Aspectos 2.9 (ao companheiro Wesley Machado) (http://www.aspectos.blog.br/);

2009/05/10

Feliz dia das Mães!


Feliz dia das Mães!

Que nossa mãe, Nossa Senhora Auxiliadora, interceda sempre por nós!

Fraternalmente,

Prof. Kauê Martins.