2009/07/12

Da agência de notícias ZENIT: Recomendações de um filósofo medieval para diálogo inter-religioso.

Recomendações de um filósofo medieval para diálogo inter-religioso.

Celebrado em Andorra um congresso sobre Ramon Llull.

ANDORRA LA VELLA, terça-feira, 26 de maio de 2009 (ZENIT.org).

O exemplo do filósofo medieval Ramon Llull (Raimundo Lúlio) pode ajudar o diálogo inter-religioso, a preservação das identidades e a solidariedade mútua nas atuais sociedades multiculturais.
Assim destacaram especialistas de diversos países no “Congresso sobre Inter-culturalidade”, celebrado em Andorra de 14 a 16 de maio, segundo informa a Zenit a diocese da sede de Urgel.
Seu bispo, Dom Joan Enric Vives, copríncipe de Andorra, inaugurou o congresso, promovido pelo Instituto Brasileiro de Filosofia e Ciência Rimundo Lúlio, com a colaboração do governo de Andorra.
“O interesse de Ramon Llull em nossos dias radica no fato de que seu projeto missionário incluía a adoção estratégica de elementos culturais islâmicos e árabes”, destacou em sua palestra inaugural.
O beato Ramon Llull escrevia e falava em árabe, adotava fontes islâmicas, lutava para que o Ocidente cristão se interessasse pela cultura árabe e se aproximasse dela, e chegou a chamar a si mesmo de christianus arabicus e procurador dos não-cristãos, destacou o bispo.
Dom Vives destacou também a dimensão intelectual do filósofo, o único escritor do Ocidente que dirigiu no século XIII e princípios do XIV mais da metade de sua extensa obra (260 títulos) a um público árabe muçulmano, escrevendo-lhes em língua árabe.
Ao mesmo tempo, Ramon Llull desenvolveu uma intensa atividade nos centros de poder do Ocidente medieval (sobretudo Roma e Paris) e viajou ao norte da África e ao Oriente.
Para o bispo, a iniciativa de Llull foi individual e personalista, e hoje a chamaríamos de “não-governamental”, que tinha um grande alcance temporal e espacial.
Leigo casado, pai de dois filhos e depois franciscano, Ramon Llull manteve sempre, apesar de suas experiências decepcionantes, a necessidade iniludível da relação com o “outro”.
Neste sentido, Dom Vives recordou algumas simples palavras do filósofo: que “os infiéis são pessoas como nós”.
“No final de sua vida, apesar de fracassos, incompreensões, fadiga e danos pessoais, ainda alentava os intercâmbios entre cristãos e muçulmanos, como lemos no Liber de participatione christianorum et sarracenorum”, assinalou o bispo.
Nessa obra do ano 1312, Llull pede “que cristãos bem instruídos e conhecedores do árabe vão à Tunísia para mostrar a verdade da fé; e que muçulmanos bem instruídos venham ao reino da Sicília para debater com sábios cristãos sobre sua fé”.
E acrescenta: “E talvez desta maneira, se esta prática se generalizar por todas as partes, poderia conseguir-se a paz entre cristãos e sarracenos, ao invés de que os cristãos vão para destruir os sarracenos e os sarracenos, os cristãos”.
Dom Vives valorizou o trabalho do especialista em Ramon Llull, Josep Perarnau, que desmascarou a falsificação das teses de Llull realizada por Nicolau Eymerich.
Também desejou que em breve possamos chegar a vê-lo canonizado por um Papa como Bento XVI, que, segundo alguns especialistas, tem um pensamento muito próximo ao de Llull no que se refere ao diálogo inter-religioso.
O congresso abordou, através de três grandes palestras com especialistas, a repercussão da obra de Llull, por exemplo, a contribuição de seu pensamento de tipo dedutivo e de sua teoria do conhecimento e a unidade do homem à filosofia da linguagem e à informática.
Também se tratou da fé religiosa e do realismo na perspectiva de Llull e sua contribuição para o diálogo inter-religioso, especialmente entre cristãos, judeus e muçulmanos, da inter-culturalidade e do secularismo.
Está previsto que este congresso tenha continuidade com um segundo encontro na cidade brasileira de São Paulo e um terceiro na ilha de Mallorca.

Da agência de notícias ZENIT: Igreja tem dever de enfrentar emergência educativa, diz Papa.

Igreja tem dever de enfrentar emergência educativa, diz Papa.

CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 28 de maio de 2009 (ZENIT.org).

Bento XVI considera que a Igreja tem o dever inadiável de enfrentar a atual “emergência” educativa, provocada por estilos de vida inspirados no relativismo e no niilismo.
Foi o que o pontífice explicou esta quinta-feira aos participantes da assembleia geral da Conferência Episcopal Italiana, com quem se encontrou na sala do Sínodo do Vaticano.
A educação, disse o Papa, que é o primaz da Igreja na Itália, “trata-se de uma exigência constitutiva permanente da vida da Igreja, que hoje tende a assumir os desafios da urgência e inclusive da emergência”.
“Neste tempo em que é forte o fascínio de concepções relativistas e niilistas da vida”, a “primeira contribuição que podemos oferecer é a de testemunhar nossa confiança na vida e no homem, em sua razão e em sua capacidade de amar”, assegurou.
Esta confiança, seguiu reconhecendo, “não é fruto de um ingênuo otimismo”, mas provém da “esperança” que vem da fé na redenção operada por Jesus Cristo.
“Tomando como referência este fundado ato de amor pelo homem –sublinhou–, pode surgir uma aliança educativa entre todos aqueles que têm responsabilidades neste delicado âmbito da vida social e eclesial”.
“Para isso, junto com um adequado projeto que indique o objetivo da educação à luz do modelo que se deve buscar, necessitam-se de educadores autorizados, aos quais as novas gerações possam olhar com confiança”, disse aos prelados italianos em seu encontro anual.

Da agência de notícias ZENIT: Bento XVI alenta “empréstimo da esperança” em plena crise financeira.

Bento XVI alenta “empréstimo da esperança” em plena crise financeira.

Iniciativa promovida pelos bispos italianos com a coleta do próximo domingo.

CIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 29 de maio de 2009 (ZENIT.org).

Em plena crise econômica, Bento XVI felicitou nesta quinta-feira os bispos italianos por promoverem nas diferentes dioceses o “empréstimo da esperança”, cujo fundo se baseará principalmente nas oferendas da missa do próximo domingo.
Ao reunir-se nesta quinta-feira com os participantes na assembleia geral da Conferência Episcopal Italiana, na sala do Sínodo do Vaticano, o Santo Padre reconheceu que “há meses estamos constatando os efeitos de uma crise financeira e econômica que atingiu duramente o cenário global e alcançou de diferente forma todos os países”.
“Apesar das medidas empreendidas em diversos níveis, os efeitos sociais da crise não deixam de fazer-se sentir, inclusive duramente, de maneira particular nas camadas mais frágeis da sociedade e nas famílias.”
Por este motivo, expressou seu apreço e alento pela iniciativa do fundo de solidariedade denominado “empréstimo da esperança”, que neste domingo de Pentecostes promoverá uma coleta nacional, que constitui a base do fundo.
Os destinatários deste fundo serão famílias que perderam sua única fonte de renda, com ao menos três filhos ou que têm de enfrentar situações de doença grave ou deficiência. Considera-se que na Itália há quase 30 mil famílias nestas circunstâncias.
“Este renovado convite à generosidade, que se soma a outras muitas iniciativas promovidas por numerosas dioceses, evocando o gesto da coleta promovida pelo apóstolo Pedro a favor da Igreja de Jerusalém, é um testemunho eloquente da capacidade para compartilhar os pesos de uns e de outros.”
“Em um momento de dificuldade, que afeta de maneira particular quem perdeu o trabalho, este gesto se converte em um verdadeiro ato de culto, que nasce da caridade suscitada pelo Espírito do Ressuscitado no coração dos crentes. É um anúncio eloquente da conversão interior gerada pelo Evangelho e uma manifestação impressionante da comunhão eclesial.”

Da agência de notícias ZENIT: A volta ao mundo das relíquias de São João Bosco aquece os corações.

A volta ao mundo das relíquias de São João Bosco aquece os corações.

Preparativos para os duzentos anos de seu nascimento
Por Carmen Elena Villa
ROMA, terça-feira, 9 de junho de 2009 (
ZENIT.org).

Preparando-se para a celebração do aniversário dos duzentos anos de seu nascimento (2015), São João Bosco volta a percorrer terras italianas através de suas relíquias.
Na semana passada, as relíquias estiveram nas Catacumbas de São Calixto, em Roma. No final de semana, viajaram para Castel Gandolfo, a pequena localidade situada a cerca de 30 quilômetros da Cidade Eterna onde os papas têm sua residência de verão. Entre terça e quinta-feira, estarão no mosteiro de Tor de Specchi, na via Teatro Marcello, perto do Foro Romano.
Neste mês visitará diferentes lugares de Roma e da região do Lacio (a população de Ganzano, a basílica romana do Sagrado Coração, perto da Estação Termini, a paróquia da Esperança, perto da Universidade Pontifícia Salesiana, e a casa geral da família religiosa fundada pelo santo).
Ao final deste mês as relíquias viajarão por alguns países da América do Sul como Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Brasil.
No próximo ano, a peregrinação das relíquias cruzará oceanos para visitar a América Latina, Ásia, Oceania, África, Europa para culminar novamente na Itália em 31 de janeiro de 2014.
A volta ao mundo
A base desta urna peregrina representa uma ponte que está sustentada por quatro pilares e sobre cada um se define a data deste bicentenário, 1815-2015, como símbolo da atualidade do carisma salesiano.
A urna contém uma escultura do santo, uma réplica de seu corpo incorrupto que repousa na basílica Maria Auxiliadora na cidade de Turim, norte da Itália.
Também jaz neste relicário a mão direita de Dom Bosco, “com a qual abençoava, escrevia as constituições, as cartas católicas, absolvia os pecados”, disse a ZENIT mons. Tadeusz Rozmus, diretor das Catacumbas de São Calixto.
Mons. Tadeusz, sacerdote salesiano de origem polonesa, falou da devoção com a qual centenas de peregrinos se aproximaram da relíquia do santo: “Não esperávamos que viesse tanta gente só para encontrar Dom Bosco. As pessoas oravam, recordavam-se dele, aprofundavam em seu conhecimento. Há algo que fascina, que aquece os corações”.
Um santo da atualidade
Segundo o presbítero, são muitas as virtudes admiradas pelos devotos de São João Bosco: “É muito conhecido e particularmente em contextos de pobreza, jovens abandonados, com diferentes dificuldades. Há diversos ramos da família salesiana que desenvolvem este carisma de Dom Bosco”.
Peregrinos que ao aproximar-se de suas relíquias lhe pedem com devoção que os ajude a viver suas virtudes: “Alegria, gozo, o aspecto da juventude. Tudo isto para ver a vida como um grande dom, sempre a partir do ponto de vista positivo. Isto atrai muitos jovens”.
Os fiéis deixam uma mensagem no livro de visitas que está disponível no lugar de peregrinação. Os pais de família explicam a seus filhos quem foi este santo e antigos alunos de colégios salesianos se comovem ao vê-lo, porque desde pequenos escutaram seu testemunho.
“Percebe-se um grande entusiasmo, recolhimento, oração”, descreveu o sacerdote.
Equilíbrio entre oração e ação
Segundo mons. Rozmus, uma das principais riquezas de Dom Bosco foi o fato de que sempre soube ler os sinais de seu tempo: “Enfrentou problemas ligados à educação dos jovens, o grande desemprego, a necessidade de preparação profissional e buscava responder de modo positivo”.
O sacerdote salesiano assegurou também que ainda que Dom Bosco tenha sido um grande homem de ação, o pilar de sua vida e de seu ministério sacerdotal foi sempre a vida de oração: “Dom Bosco conseguia verdadeiramente conservar um bom equilíbrio. Orava, mas também estava com os jovens. Entregar-se a si mesmo é também uma forma de oração”.
Assegurou que a vida espiritual que o santo teve continua sendo um exemplo que contrapõe à tentação de cair no ativismo: “Pode-se facilmente desculpar-se pela falta de tempo e pela falta de ocasiões. Submergir-se na atividade sem oração é queimar a alma com o passar do tempo”.
Os fiéis que se aproximam para orar ante as relíquias de São João Bosco poderão obter a indulgência plenária seguindo todos os requisitos para obter esta graça que a Igreja concede (oração pelo Santo Padre: Credo, Ave Maria, Pai Nosso e Glória), comunhão e confissão sete dias antes ou sete dias depois.

Da agência de notícias ZENIT: Bento XVI apresenta filósofo e teólogo João Escoto Erígena.

Bento XVI apresenta filósofo e teólogo João Escoto Erígena.

Intervenção na audiência geral.

CIDADE DO VATICANO, quarta-feira, 10 de junho de 2009 (ZENIT.org).

Publicamos a intervenção de Bento XVI na audiência geral desta quarta-feira, dedicada a apresentar a figura de João Escoto Erígena, do século IX.
* * *
Queridos irmãos e irmãs:
Hoje eu gostaria de falar sobre um notável pensador do Ocidente cristão: João Escoto Erígena, cujas origens são incertas. Ele procedia certamente da Irlanda, onde havia nascido no começo do século IX, mas não sabemos quando deixou sua ilha para atravessar o Canal da Mancha e começar assim a fazer parte plenamente desse mundo cultural que estava renascendo em torno dos carolíngios, em particular de Carlos o Calvo, na França do século IX. Assim como não conhecemos a data exata do seu nascimento, tampouco conhecemos a de sua morte que, segundo os especialistas, deve ter sido por volta do ano 870.
João Escoto Erígena tinha uma cultura patrística, tanto grega como latina, de primeira mão: conhecia diretamente os escritos dos padres latinos e gregos. Conhecia bem, entre outras, as obras de Agostinho, Ambrósio, Gregório Magno, grandes padres do Ocidente cristão, mas conhecia também o pensamento de Orígenes, de Gregório de Nissa, de João Crisóstomo e de outros padres do Oriente igualmente importantes. Era um homem excepcional, que naquela época dominava também o grego. Demonstrou uma atenção sumamente particular por São Máximo o Confessor, e sobretudo por Dionísio Areopagita. Sob este pseudônimo, esconde-se um escritor eclesiástico do século V, da Síria, mas assim como todos da Idade Média, João Escoto Erígena estava certo de que este autor era um discípulo direto de São Paulo, de quem se fala nos Atos dos Apóstolos (17, 34). Escoto Erígena, convencido desta apostolicidade dos escritos de Dionísio, qualificava-o de “autor divino” por excelência; seus escritos foram, portanto, uma fonte eminente do seu pensamento. João Escoto traduziu suas obras para o latim.
Os grandes teólogos medievais, como São Boaventura, conheceram as obras de Dionísio através desta tradução. Ele se dedicou durante a vida toda a aprofundar e desenvolver seu pensamento, recorrendo a estes escritos, até o ponto de que ainda hoje em algumas ocasiões pode ser difícil distinguir quando nos encontramos com o pensamento de Escoto Erígena e quando ele não faz mais do que propor o pensamento do Pseudo-Dionísio.
Na verdade, o trabalho teológico de João Escoto não teve muita sorte. O final da era carolíngia fez que se esquecessem de suas obras e uma censura por parte da autoridade eclesiástica criou sombras sobre sua figura. João Escoto representa um platonismo radical, que às vezes parece aproximar-se de uma visão panteísta, ainda que suas intenções pessoas subjetivas tenham sido sempre ortodoxas. Até hoje chegaram algumas obras de João Escoto Erígena, entre as quais merecem ser recordadas, em particular, o tratado “Sobre a divisão da natureza” e as “Exposições sobre a hierarquia celeste de São Dionísio”. Nelas, ele desenvolve estimulantes reflexões teológicas e espirituais, que poderiam sugerir interessantes aprofundamentos inclusive para teólogos contemporâneos. Refiro-me, por exemplo, ao que escreve sobre o dever de exercer um discernimento apropriado sobre o que representa como auctoritas vera (a verdadeira autoridade, N. do T.), ou sobre o compromisso de continuar buscando a verdade até que não se alcance uma experiência da adoração silenciosa de Deus.
Nosso autor diz: “Salus nostra ex fide inchoat”: nossa salvação começa com a fé, isto é, não podemos falar de Deus partindo das nossas invenções, mas do que o próprio Deus diz sobre si mesmo nas Sagradas Escrituras. Dado que Deus só diz a verdade, Escoto Erígena está convencido de que a autoridade e a razão nunca podem estar em contraposição. Ele está certo de que a verdadeira religião e a verdadeira filosofia coincidem. A partir desta perspectiva, escreve: “Qualquer tipo de autoridade que não estiver confirmada por uma verdadeira razão, deveria ser considerada como fraca... Só é verdadeira autoridade aquela que coincide com a verdade descoberta em virtude da razão, ainda que se trate de uma autoridade recomendada e transmitida para utilidade das posteriores gerações pelos santos padres” (I, PL 122, col 513BC).
Portanto, adverte: “Que nenhuma autoridade o atemorize ou o distraia do que lhe faz compreender a persuasão obtida graças a uma reta contemplação racional. De fato, a autêntica autoridade não contradiz nunca a reta razão, e esta última nunca contradiz uma verdadeira autoridade. Uma e outra procedem sem dúvida da mesma fonte, que é a sabedoria divina” (I, PL 122, col 511B). Vemos aqui uma valente afirmação do valor da razão, fundada sobre a certeza de que a verdadeira autoridade é racionável, pois Deus é a razão criadora.
A própria Escritura não se livra, segundo Erígena, da necessidade de aplicar o mesmo critério de discernimento. A Escritura, de fato, afirma o teólogo irlandês, voltando a expor uma reflexão já presente em João Crisóstomo, não teria sido necessária se o homem não tivesse pecado. Portanto, é preciso deduzir que a Escritura foi dada por Deus com uma intenção pedagógica e por condescendência para que o homem pudesse recordar tudo o que havia sido impresso em seu coração desde o momento de sua criação “à imagem e semelhança de Deus” (cf. Gênesis 1, 26) e que a queda original lhe havia feito esquecer. Erígena escreve nas Expositiones: “O homem não foi criado para a Escritura, da que não teria tido necessidade se não houvesse pecado, mas sim a Escritura – tecida de doutrina e símbolos – foi doada ao homem. Graças a esta, de fato, nossa natureza racional pode introduzir-se nos segredos da autêntica contemplação pura de Deus” (II, PL 122, col 146C). A palavra da Sagrada Escritura purifica nossa razão um pouco cega e nos ajuda a voltar à lembrança daquilo que nós, enquanto imagem de Deus, temos gravado no coração, vulnerado infelizmente pelo pecado.
Daqui derivam algumas consequências hermenêuticas sobre a maneira de interpretar a Escritura, que podem indicar ainda hoje o caminho justo para uma correta leitura da Sagrada Escritura. Trata-se, de fato, de descobrir o sentido escondido no texto sagrado e isso supõe um exercício particular interior graças ao qual a razão se abre ao caminho seguro rumo à verdade. Este exercício consiste em cultivar uma constante disponibilidade para a conversão. Para chegar em profundidade à visão do texto, é necessário avançar simultaneamente na conversão do coração e na análise conceitual da página bíblica, seja de caráter cósmico, histórico ou doutrinal. Somente graças à constante purificação, tanto dos olhos do coração como dos olhos da mente, pode-se conquistar a compreensão exata.
Este caminho árduo, exigente e entusiasmante, repleto de contínuas conquistas e relativizações do saber humano, conduz a criatura inteligente até o limiar do Mistério divino, em que todas as noções constatam sua própria fraqueza e incapacidade e levam, portanto, a ir além – com a simples força livre e doce da verdade – de tudo o que é alcançado continuamente. O reconhecimento adorador e silencioso do Mistério, que desemboca na comunhão unificadora, revela-se portanto como o único caminho para uma relação com a verdade que seja ao mesmo tempo a mais íntima possível e a mais escrupulosamente respeitosa da alteridade. João Escoto, utilizando também nisso um termo apreciado pela tradição cristã de língua grega, chamou esta experiência à qual tendemos de theosis ou divinização, com afirmações atrevidas, até o ponto de que foi suspeito de cair no panteísmo heterodoxo. De qualquer forma, suscitam intensa emoção textos como o seguinte, no qual, recorrendo à antiga metáfora da fusão do ferro, escreve: “Portanto, como todo ferro incandescente se torna líquido até o ponto de que só parece fogo, e no entanto permanecem distintas as substâncias de um e de outro, da mesma forma é preciso aceitar que, depois do final deste mundo, toda a natureza, tanto a corporal como a incorporal, manifestará só Deus e, no entanto, permanecerá íntegra, de maneira que Deus possa ser, em certo sentido, compreendido apesar de permanecer incompreensível e a própria criatura seja transformada, com maravilha inefável, em Deus” (V, PL 122, col 451B).
Na verdade, todo o pensamento teológico de João Escoto se converte na demonstração mais clara da tentativa de expressar o explicável do inexplicável de Deus, baseando-se unicamente no mistério do Verbo feito carne em Jesus de Nazaré. As numerosas metáforas utilizadas por ele para indicar esta realidade inefável demonstram até que ponto é consciente da absoluta incapacidade dos termos que utilizamos para falar dessas coisas. E, no entanto, permanece esse encanto e essa atmosfera de autêntica experiência mística que de vez em quando se pode quase palpar em seus textos. Basta citar, como prova, uma página do livro De divisione naturae, que toca profundamente nosso espírito de crentes do século 21: “Só se pode desejar – escreve – a alegria da verdade, que é Cristo, e só se pode evitar a ausência d’Ele. É preciso considerar que esta é a única causa de total e eterna tristeza. Tire Cristo de mim e não me restará nenhum bem e não há nada que me aterrorizará tanto como sua ausência. O pior tormento de uma criatura racional são as privações e a ausência d’Ele” (V, PL 122, col 989a). São palavras das quais podemos nos apropriar, traduzindo-as em oração Àquele que constitui também o desejo do nosso coração.
[Tradução: Aline Banchieri.
© Copyright 2009 - Libreria Editrice Vaticana]

Da agência de notícias ZENIT: Rabino judeu: cristianismo permite-nos reencontrar nossas raízes.

Rabino judeu: cristianismo permite-nos reencontrar nossas raízes.

Declarações de Rivon Krygier.

PARIS, quarta-feira, 10 de junho de 2009 (ZENIT.org).

“O cristianismo nos permite frequentemente reencontrar nossas raízes”, afirma um reconhecido especialista francês em lei judaica, o rabino Rivon Krygier.
Krygier destaca a “absoluta necessidade” do diálogo inter-religioso e revela que sua experiência de diálogo com os cristãos o esclareceu muito sobre sua própria religião.
“Quando começamos a falar, todos temos de superar os estereótipos e preconceitos –explica ao semanário da arquidiocese da capital francesa, "Paris Notre-Dame". Eu mesmo vivi esta experiência".
“Para mim, o cristianismo era uma religião superficial, baseada apenas nos afetos, uma fé irracional, que implicava a negação do corpo, etc”, reconheceu.
“Através do diálogo, descobri não apenas as grandes riquezas espirituais, mas também os homens e mulheres exemplares por sua fé e suas obras, ‘justos’, segundo nosso vocabulário –acrescenta. Sua fé e a minha não são rivais, mas tendem ao Reino de Deus”.
Para Rivon Krygier, rabino da comunidade masorti Adath-Shalom, de Paris, "os Evangelhos constituem uma visão rica, uma reflexão sobre o judaísmo”.
“O estudo do Evangelho e o diálogo com os cristãos me esclareceu muito sobre minha própria tradição”, assegura.
Entre eles, “sente-se realmente o judaísmo de Jesus, sua maneira de interpretar e viver a fé judaica, na escola dos grandes profetas”.
Segundo o rabino, “em sua memória ou em seu culto, o cristianismo conservou muitos costumes judeus que foram completamente abandonados no judaísmo que continuou evoluindo”.
Como exemplo, destacou a celebração da vigília pascal, que em algumas comunidades cristãs dura toda a noite.
“Essa é uma tradição judaica essencial, mas abandonada e esquecida por muitos”, explica. “Mas se diz que a maioria das vezes é o cristianismo que reencontra suas raízes neste diálogo”, destaca.
Sobre sua visão de Jesus, o rabino afirma: “para mim, como judeu, Jesus encarna um homem desesperado pela redenção e a salvação; queria acelerar a vinda do Reino de Deus e a isso se dedicou ao longo de sua vida”.
Também avalia que Jesus, “na realidade, ajudou milhões de não-judeus em todo o mundo a se unir à cepa de Israel e à fé do monoteísmo universal de acordo com a promessa feita a Abraão”.
“Viu-se que Jesus desencadeou realmente um movimento espiritual de uma amplitude maior, fundamentalmente respeitável (ainda que lamentamos a longa controvérsia entre judeus e cristãos) e isso em si mesmo é parte do messianismo”, afirma.
Para o rabino, “as espiritualidades se iluminam e podem nos ajudar a compreender melhor nossa própria religião, ao tempo que se constrói a fraternidade universal buscada no projeto último de nossas respectivas religiões”.
Ao mesmo tempo, reconhece alguns fatores que dificultam o diálogo entre cristãos e judeus, como o número inferior de judeus em relação aos cristãos, que faz com que os judeus estejam menos representados no cenário do diálogo.
Também o fato de que “muitos judeus não são praticantes ou não estão interessados na religião” e “a maioria dos que têm uma inquietude espiritual tem a necessidade de aprofundar em sua própria tradição”.
Por outro lado, “as comunidades judaicas encontram-se dispersas e não tão bem organizadas como a Igreja e isso não favorece as reuniões formais com outras comunidades”.

Da agência de notícias ZENIT: Contra crise, Santa Sé pede defesa do emprego.

Contra crise, Santa Sé pede defesa do emprego.

Intervenção na conferência da Organização Internacional do TrabalhoCIDADE DO VATICANO, sexta-feira, 12 de junho de 2009 (ZENIT.org).

A Santa Sé propôs manter o emprego e tutelar a dignidade dos trabalhadores como caminho para sair da crise econômica.
A posição vaticana foi exposta pelo arcebispo Silvano Maria Tomasi, C.S., observador permanente nas Nações Unidas em Genebra, ao intervir quarta-feira na conferência anual da Organização Internacional do Trabalho, que de 3 a 19 de junho reúne 4 mil delegados de governo e representantes do mundo empresarial e do trabalho.
“A atual crise econômica e financeira impõe medidas concretas para orientar e mudar comportamentos, regras e avaliações equivocadas”, disse o núncio apostólico.
Em declarações à Rádio Vaticano, posteriores a sua intervenção, o prelado italiano explicou que “a crise não é simplesmente o resultado de uma falha na engrenagem do mecanismo econômico; sua raiz foi a falta de valores éticos”.
“A gula e a avareza de alguns managers construiu uma economia que não se baseia na produtividade real, mas em uma espécie de economia digital, que acumulava dinheiro mas não oferecia serviço social e material, segundo as exigências das pessoas e do bem comum”, disse.
O arcebispo sublinhou também a importância da solidariedade “neste momento difícil”, “elemento importante para sair da crise”.
Mas sobretudo o bispo considera que a solução passa por “manter o emprego das pessoas, por manter os postos de trabalho, e isso se pode fazer ajudando não apenas os grandes bancos ou as grandes empresas, mas as pequenas e médias empresas, que dão trabalho tanto nos países desenvolvidos como nos pobres à grande maioria das pessoas”.
Neste contexto, o representante do Papa pediu a redescoberta do valor do trabalho. “O trabalho tem valor porque é produzido por uma pessoa que tem capacidade criativa, cujo talento, pequeno ou grande, é colocado ao serviço do bem comum”, disse.
Tomasi explicou que é muito importante esta dimensão “perante o risco de que 50 milhões de pessoas fiquem sem trabalho como consequência desta crise”.
“Os jovens têm grandes dificuldades para entrar no mercado de trabalho. Não se coloca ao serviço da comunidade e da produtividade real toda a sua energia, toda a sua criatividade, de maneira que eles possam facilitar a solução da crise”, afirmou.

Da agência de notícias ZENIT: Mudança climática, desafio aos estilos de vida e à solidariedade.

Mudança climática, desafio aos estilos de vida e à solidariedade.

Afirma a Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia
BRUXELAS, quinta-feira, 18 de junho de 2009 (
ZENIT.org).
A Comissão dos Episcopados da Comunidade Europeia (COMECE) considera que a mudança climática é um desafio para os estilos de vida, a solidariedade e a justiça mundial.Em comunicado enviado a ZENIT, no contexto de um seminário realizado ontem, a COMECE assinala que seis meses antes da Conferência das Nações Unidas sobre a mudança climática, em Copenhague, as Igrejas e suas organizações têm debatido com representantes da União Europeia sobre a dimensão ética da luta contra a mudança climática.
Representantes da Comissão Europeia, do Parlamento Europeu e dos Estados membros trocaram seus pontos de vista com representantes das Igrejas sobre a base dos dados científicos mais recentes relativos à mudança climática.
Dados recentes apontam que o objetivo de reduzir as emissões de gases causadores do efeito estufa fixado para 2020 não é suficiente. Helga Kromp-Kolb, meteorologista de reconhecimento internacional, declarou que 30% não são suficientes; 2°C é algo muito elevado e 2020 é muito tarde”.
Karl Falkenberg, diretor geral de meio ambiente na Comissão Europeia, declarou que o resultado em Copenhague não será positivo se não chegarmos a convencer outros grandes países produtores de emissões tais como China, Índia ou Rússia de que se comprometam perante isso”.
Bernd Nilles, secretário-geral da CIDSE (agências católicas de desenvolvimento) recordou que a luta contra a mudança climática deve estar fortemente ligada a políticas de ajuda ao desenvolvimento. Ele advertiu contra a falta de solidariedade com os países em vias de desenvolvimento. “Em Copenhague, precisamos de respostas, não de desculpas”, disse.
Já o secretário-geral da COMECE, padre Piotr Mazurkiewicz, afirmou que “uma resposta eficaz à mudança climática requer liderança política e uma reflexão séria. A questão que se apresenta é saber o que é uma vida boa e feliz”.
Apoiando-se em vários informes de especialistas e em documentos de reflexão publicados pelas Igrejas e seus diversos organismos, os participantes indicaram que a necessidade de mudar os estilos de vida pode ser transmitida de maneira mais eficaz pela educação em todos os níveis e pela promoção e consumo duradouro”.
(Nieves San Martín)

Da agência de notícias ZENIT: Revelado plano de Hitler para matar Pio XII.

Revelado plano de Hitler para matar Pio XII.

Novo testemunho histórico confirma documentos precedentes.
CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 16 de junho de 2009 (
ZENIT.org).
Hitler queria sequestrar ou matar Pio XII, segundo confirmam novos testemunhos históricos revelados nesta terça-feira.
Dados sobre este objetivo já haviam sido oferecidos no passado. Em 1972, havia falado dele o general da SS, Karl Wolf, ao referir detalhes sobre um encontro que teve com o Papa Eugenio Pacelli no dia 10 de maio de 1944. No entanto, é a primeira vez que se recolhem detalhes concretos sobre o plano de eliminação do pontífice.
Nesta terça-feira, o jornal italiano
Avvenire publicou um testemunho histórico que confirma o plano organizado contra o Papa pelo Reichssicherheitsamt (quartel general para a segurança do Reich) de Berlim, depois de 25 de julho de 1943.
O jornal cita uma fonte direta e testemunhal, Niki Freytag von Loringhoven, de 72 anos, residente em Munique, filho de Wessel Freytag von Loringhoven, quem então era coronel do Alto Comando Alemão das Forças Armadas (Oberkommando der Wehrmacht, OKW), e depois participaria de um falido golpe contra Hitler.
Segundo Freytag von Loringhoven, nos dias 29 e 30 de julho de 1943, houve em Veneza um encontro secreto para informar ao chefe de contraespionagem italiano, o general Cesare Amè, da intenção do Führer de punir os italianos pela prisão Mussolini, com o sequestro ou o assassinato de Pio XII e do rei da Itália.
No encontro participaram o chefe de Ausland-Abwehr (contraespionagem), o almirante Wilhelm Canaris, e dois coronéis da seção II para a sabotagem, Erwin von Lahousen e precisamente Wessel Freytag von Loringhoven.
Segundo Avvenire, este testemunho concorda com a deposição de Erwin von Lahousen no processo de Nurembergue de 1º de fevereiro de 1946 (Warnreise Testimony 1330-1430), no qual inclusive revela a reação de Freytag von Loringhoven ao conhecer o plano de Hitler: “É uma autêntica covardia!”.
O chefe de contraespionagem italiano, Amè, segundo este testemunho histórico, ao voltar a Roma após conhecer as intenções de Hitler em Veneza, divulgou a notícia dos planos contra o Papa para bloqueá-los. Estas notícias chegaram ao embaixador da Alemanha na Santa Sé, Ernst von Weisäcker, quem as recolhe em seu livro Erinnerungen (“Lembranças”), de 1950.

Da agência de notícias ZENIT: Cardeal Lajolo: verdades científicas e teológicas não se podem contradizer.

Cardeal Lajolo: verdades científicas e teológicas não se podem contradizer.

Visita de uma delegação do Vaticano ao acelerador de partículas do CERNGENEBRA, quinta-feira, 18 de junho de 2009 (ZENIT.org).

As verdades científicas e teológicas nunca se podem contradizer porque ambas “derivam da mesma fonte, que é Deus”, afirmou o cardeal Giovanni Lajolo, presidente da Comissão Pontifícia para o Estado da Cidade do Vaticano.
Foi durante uma mesa-redonda sobre diálogo entre fé e ciência, celebrada no início de junho na sede da Organização Europeia de Pesquisa Nuclear (
CERN), em Genebra, durante a visita de uma delegação do Vaticano ao centro que acolhe o maior túnel acelerador de partículas do mundo.
O cardeal citou Roberto Belarmino, doutor da Igreja que pesquisou Galileu, segundo o qual se uma declaração científica é evidentemente verdadeira e não se encontra em absoluta conformidade com a Bíblia, é necessário investigar como se pode interpretar corretamente a Escritura para não contradizer a verdade científica.
Para o purpurado, esta afirmação “continua sendo um princípio válido em relação aos fatos científicos”.
Segundo o cardeal Lajolo, a Igreja católica é uma defensora da razão e da verdade e por isso “reconheceu mais tarde a posição científica defendida por Galileu e o erro cometido em sua condenação”.
Dom Lajolo liderava a delegação, entre cujos membros se encontravam o observador permanente do Vaticano na ONU, Dom Silvano Maria Tomasi, C.S.; o diretor do Observatório Astronômico Vaticano, padre Jose Funes, S.I., e o astrônomo do Vaticano Guy Consolmagno, S.I.
Para Dom Tomasi, a visita da delegação do Vaticano ao CERN abriu um importante canal de diálogo entre ciência e fé, assim como entre o Vaticano e o importante organismo de pesquisa.
“A questão que emergiu na visita foi como manter o contato”, disse, porque os cientistas que estudam o universo se perguntam muitas das questões teológicas, como algumas sobre o significado da vida.
No entanto, acrescentou, os métodos utilizados por cientistas e teólogos para responder a esses questionamentos são radicalmente diferentes e os situam em “dois mundos completamente diferentes”.
“Não há hostilidade entre ambos, mas é necessário falar cruzando essas fronteiras e determinar a maneira com que o conhecimento humano pode avançar”, explicou.
O cardeal Lajolo aceitou “com satisfação o convite de visitar o CERN por meu próprio interesse, diante dos limites mais longínquos que a ciência astrofísica está conseguindo alcançar com a aceleração de prótons”.
O purpurado afirmou que as descobertas das novas partículas subatômicas podem ajudar a confirmar a teoria Superstring do professor da Universidade de Princeton Edward Witten, que busca unificar a teoria geral da relatividade de Albert Einstein e a física quântica.

Da agência de notícias ZENIT: Erasmo e seu amigo Thomas More.

Erasmo e seu amigo Thomas More.
Por Elizabeth Lev.
ROMA, domingo, 21 de junho de 2009 (
ZENIT.org)

Em 1440, a imprensa distribuiu ao mundo, em massa, livros que transformariam e enriqueceriam a vida do homem para sempre. Isso deu origem aos impressos avulsos, sendo os primeiros jornais. E, nessa linha, o ensaio (artigo de opinião) nasceu sob a forma de panfleto.
Os intelectuais renascentistas tinham muito a escrever. No turbulento período da Reforma, muitas pessoas perderam seus líderes espirituais e se voltaram para a leitura das sofisticadas obras literárias desses experts.
A heresia apareceu lado a lado com a sã doutrina, e a confusão estava completamente espalhada. As pessoas podiam ler Calvino um dia e “A Defesa dos Sete Sacramentos” no outro. Como a Igreja foi desafiada na essência de seus ensinamentos, os fiéis sentiram-se à deriva e inseguros, e certos intelectuais viram a oportunidade de fazer nome envolvendo-se em questões do momento, sem promover verdadeiramente em debate teológico.
Erasmo de Rotterdam foi um desses. Embora ele fosse reconhecido como católico durante toda a Reforma, suas escritas e sátiras causaram muitas incertezas, ao ponto em que a renovação católica da geração seguinte o culpou por ter causado danos que eclodiram na Reforma.
Este ano marca o 500° aniversário da sátira mais célebre de Erasmo, "Elogio da loucura", onde ele empresta sua caneta para registrar as queixas dos reformadores, expondo a figura de papas, teólogos e religiosos (entre muitos outros) ao ridículo. O livro é escrito pel a Loucura, em primeira pessoa (uma mulher, claro), exultando seu domínio e suas vitórias.
Erasmo, abençoado com uma excelente formação humanística, mobilizou seu excelente latim e seu dom em ser ágil para dar respostas prontas em assuntos polêmicos. Apesar dos problemas enfrentados pela fé católica e em um tempo no qual os protestantes clamam pela "mudança", ele desmotivou e desencorajou muitos de seus companheiros católicos.
O tratamento de Erasmo pelo Magistério Papal como uma consideração secundária desempenha um papel crucial em enfraquecer a autoridade do papado. Firme nas suas próprias razões e em sua genialidade, nunca ocorreu ao Erasmo procurar conselhos de Roma a fim de saber como seus escritos poderiam afetar aqueles que estavam em confronto contra as forças do protestantismo. Lendo seu trabalho, alguns católicos desavisados pensavam que aquela crítica explícita à Igreja era a ordem do dia.
O legado de Erasmo ilustra os perigos de reduzir a doutrina na abordagem das grandes questões do dia. Embora a Eucaristia estivesse sendo rejeitada e profanada a partir de uma extremidade à outra da Europa, Erasmo se divertiu com aqueles que tentaram explicar a transubstanciação. Deixando de lado o papel da teologia na Igreja, ele se jogou diretamente nas mãos dos dissidentes protestantes, que o consideraram um dos seus.
Esse tipo de “loucura” conduziu a trágicas conseqüências, no caso de Erasmo. Em 1535, seu amigo e antigo correspondente, Sir Thomas More, foi decapitado na Inglaterra. Os dois colegas tinham chegado a uma encruzilhada. O Rei Enrique VIII tentou coagir Thomas More a agir contra sua fé e consciência, negando o Magistério. Thomas não podia. Erasmo ficou quieto.
A caneta rápida de Erasmo ficou sem tinta durante o julgamento, a prisão e o assassinato de seu amigo Thomas More. Paralisada por covardia ou ideal, deve ter sido doloroso.
Sem dúvida, com a sua perspicácia e brilhantismo, Erasmo esperava desempenhar um papel crucial nos marcos históricos de seu tempo. Mas ele não tinha a clareza de consciência e de desejo de verdade que caracterizou o seu amigo Thomas More.
Erasmo se confortou por ter escrito aquela “loucura” e tomou um caminho fácil para o perdão, lançando culpas em erros e insensatez da juventude. Mas, enquanto São Thomas More irá ser homenageado nos altares em sua festa de 6 de julho, Erasmo será sempre lembrado como aquele que rabiscava enquanto Roma queimava.
[Elizabeth Lev ensina arte cristã e arquitetura no campus Italiano da Universidade de Duquesne e no programa de estudos católico da Universidade de St. Thomas].

Da agência de notícias ZENIT: Caráter ontológico da dignidade humana, condição para democracia.

Caráter ontológico da dignidade humana, condição para democracia.

Segundo monsenhor Elio Sgreccia.

MADRI, segunda-feira, 22 de junho de 2009 (ZENIT.org).

A dignidade humana deve-se entender a partir de seu caráter ontológico para que exista uma verdadeira democracia.
Foi o que assinalou o presidente honorário da Academia Pontifícia para Vida, Dom Elio Sgreccia, em uma mesa-redonda celebrada no dia 18 de junho na Universidade CEU San Pablo, em Madri.
Pada Dom Sgreccia, a dignidade baseada na ética ontológica “apresenta-se como algo universal”, o que não acontece “na ética dos direitos que hoje prevalece”; informou a sala de imprensa da Universidade.
Segundo o prelado, o que prevalece muitas v ezes hoje é uma ética da utilidade, em que o reconhecimento dos direitos não está sujeito à aceitação de sua realidade intrínseca, mas a valorações externas de tipo social.
O prelado referiu-se a duas realidades que derivam desse conceito equivocado da dignidade humana: a prática da eutanásia e do aborto.
Esse conceito desvirtuado modela uma visão da dignidade pessoa “em que se discute se é pessoa um homem que perdeu suas faculdades”, por exemplo.
A dignidade de um filho não deve depender de que seja “aceito por seus pais ou esteja em plenas condições”, assinalou.
O prelado opôs-se à perspectiva que identifica dignidade com “percepção do bem-estar pessoal”.
Sgreccia proclamou que “a dignidade está ligada ao fato de existir”, e não a uma “cap acidade biológica, psicológica ou qualquer outra avaliação social”.
“Disso depende a igualdade –assinalou. Apenas se a dignidade da pessoa for entendida sob essa perspectiva, é possível uma verdadeira democracia, que deve implicar que todos têm valor, até o mais frágil”.
Na opinião de Dom Sgreccia, urge “valorizar o verdadeiro peso da dignidade”. Sobretudo quando em nome dela “se suspende a ajuda ao neonato com deficiências ou a ajuda a enfermos terminais”, ou “quando se interroga sobre as condições de vida digna do enfermo terminal”.
“A dignidade do homem não aceita gradação”, argumentou, razão pela qual “o embrião tem desde o começo a dignidade própria de uma pessoa”.
Dom Sgreccia referiu-se à instrução
Dignitas Personae e recordou que as técnicas de fecundação são admissíveis quando ajudam a plena realização do ato conjugal e não o substituem.

Da agência de notícias ZENIT: Casamentos arruinados.

Casamentos arruinados.
Estudo detalha os altos custos econômicos do divórcio.
Por Padre John Flynn, LC.
ROMA, domingo, 28 de junho de 2009 (
ZENIT.org).

A separação familiar está causando anarquia social, de acordo com o discurso feito por um juiz inglês, Paul Coleridge, juiz sênior da Divisão de Família para Inglaterra e País de Gales.
Coleridge acusou pais e mães de falharem no compromisso mútuo da união num jogo de “descartar o parceiro”, o que tem deixado milhões de crianças “marcadas por toda a vida”, de acordo com um relatório do jornal Daily Mail do dia 17 de junho.
Em um discurso de incentivo ao casamento, Coleridge apelou para uma mudança nas atitudes, de modo a barrar a destruição da vida familiar.
"O que é uma questão de interesse privado em pequena escala torna-se uma questão de interesse público, quando atinge proporções epidêmicas”, afirmou.
A dimensão pública da quebra do casamento foi o tema de um relatório recente do Instituto de Casamento e Família do Canadá. Intitulado "Escolhas Privadas, Custos Públicos: Quanto uma família desestruturada custa a todos nós”, o Instituto detalhou o impacto econômico do matrimônio fracassado.
O estudo fez uma estimativa do custo da ruptura familiar em relação à despesa pública para o ano fiscal 2005-06. O impacto sobre o orçamento de ajuda às famílias com dificuldades financeiras equivale a aproximadamente 7 bilhões de dólare s Canadenses (US$6,1 bilhões) por ano.
O relatório também destacou como a separação no casamento tem um impacto econômico particularmente prejudicial para as mulheres, levando ao que ele definiu como “feminização da pobreza”.
Embora o estudo tenha se concentrado sobre os custos econômicos da união familiar fracassada, pode-se reconhecer também o mesmo impacto sobre as crianças. O divórcio não é somente ligado à pobreza, mas um grande campo de investigação mostra que as crianças são melhor criadas com a presença dos seus pais, o instituto salientou.
Impacto social
"Quando famílias fracassam, como tantas vezes hoje, cabe a nós, através de agências governamentais e instituições, pagar por esses fracassos”, comentou o relatório.<>A desagregação familiar é muito mais do que o divórcio, o estudo apontou. Inclui casais que coabitam, mães solteiras que nunca se casaram ou viveram com os pais de seus bebês.
Alguns afirmam que a estrutura familiar não importa –apontou o relatório. A vida familiar, no entanto, não é apenas uma questão de escolha de quem irá vivê-la. Diante dos dados do impacto econômico de tais decisões, é perfeitamente legal que os governos estejam preocupados com o futuro da vida familiar. Estas escolhas são mais do que apenas um acordo privado, são vitais para parte da sociedade, afirmou o estudo.
Embora programas do governo possam oferecer algum tipo apoio, eles são um fraco substitutivo para uma vida familiar estável. O instituto citou o relatório de 2005 que analisou a situação das pessoas sob o ponto de vista sócio-assistencial, na província de Nova Brunswick.
No estudo, pessoas comentaram sobre a grande perda da auto-estima e o sentimento de desamparo de estarem dependentes da ajuda social. O instituto acrescentou que a ruptura familiar leva ao que tem sido descrito como: dissolução, disfunção e ausência paterna.
O relatório canadense se refere a um estudo publicado em 2007 no Reino Unido, que analisou o problema da pobreza. Em larga escala –assinala o estudo britânico– as tentativas do governo para aliviar a pobreza falharam, a pobreza das pessoas que vivem nas margens da sociedade está, em vez disso, se tornando cada vez maior.
O estudo constatou que a desunião da estrutura familiar tem desempenhado um papel significativo no problema da pobreza no Reino Unido, levando à conclusão de que os casais, em matrimônio, obtêm melhores resultados tanto para as crianças, quanto para os adultos.
O estudo canadense reconhece que famílias intactas também exigem do estado ajuda, através de assistência social. Mas a proporção de pessoas que necessitam dessa assistência é, no entanto, muito inferior a de famílias de pais solteiros.
Impacto sobre as crianças
O Instituto comentou que, quando as leis do divórcio foram liberadas no Canadá, achou-se que o que fosse bom para os pais seria bom para as crianças. Posteriormente, a investigação empírica mostrou que este não foi o caso.
"O fato dos pais serem casados ou não incide nas crianças em muitas escalas sociais, mesmo quando fatores econômicos estão excluídos", afirma o relatório.
Dados sociais, tais como o consumo de droga, resultados acadêmicos, saúde e felicidade s&at ilde;o afetados pela estrutura familiar. Tanto as crianças como os adultos se sentem muito melhor com uma situação estável no casamento.
“O ponto do debate não deveria ser se a falta de pais casados importa para as crianças, e sim o que fazer com a realidade que isto causa”, o relatório comentou.
Infelizmente –prossegue o estudo–, a proporção de famílias com pais casados indiscutivelmente diminuiu, assim como o número de famílias de união amigável e de pais solteiros aumentou. Esta tendência é também prejudicial para a estabilidade econômica, visto que adultos casados tendem a participar mais plenamente na economia e gerar aumento das receitas fiscais.
Responsabilidade econômica
O relatório constatou que as opiniões divergem quanto aos benefícios econômicos do casamento. Mas muitos reconhecem que o matrimônio promove uma maior responsabilidade em ambos os cônjuges. Também melhora a capacidade dos dois parceiros se especializarem em dividir as tarefas e cuidar da família.
Certamente há um impacto econômico. O instituto se referiu a uma série de estudos internacionais sobre o custo da ruptura familiar. Um relatório de fevereiro de 2009 da Fundação Britânica de Relacionamentos, descrita como não-partidária, dedicada a reforçar e melhorar as relações de uma sociedade mais forte, assinalou o custo da ruptura familiar em 37,03 bilhões de libras esterlinas ($ 61,07 bilhões) anualmente.
Outro relatório, do Centro Social da Justiça de Londres, colocou o custo da ruptura familiar, no Reino Unido, a uma taxa anual de 20 bilhões de libras esterlinas ($ 32 bilhões).
Voltando ao Canadá, o Instit uto calculou que, se as rupturas familiares pudessem ser cortadas pela metade, os custos diretos do contribuinte para a redução da pobreza destinados a casais separados e pai solteiros seriam reduzidos a aproximadamente 2 bilhões de dólares canadenses ($ 1,76 bilhão de dólares americanos) anualmente.
Dados canadenses censitários revelaram que as famílias com pais unidos são as menos dependentes de ajuda governamental; as famílias com pais solteiros são mais dependentes; e as famílias com mães solteiras são ainda mais dependentes.
Mais felizes e mais saudáveis
Além disso, tal redução também reduziria grandemente o sofrimento e o trauma da ruptura familiar. "Os membros de famílias que permanecem intactas seriam mais felizes, saudáveis e prósperos, mas também há benefícios que v&at ilde;o além destas famílias", assinala o relatório.
A sociedade precisa famílias saudáveis, a fim de prosperar. "Locais em que homens adultos são maus modelos contribuem para uma cultura de machismo, violência e irresponsabilidade para os jovens, o que prejudica até mesmo as crianças que vivem com ambos os pais", alegou.
O Instituto concluiu o relatório com uma lista de recomendações. Elas se estenderam da educação para o casamento em escolas secundárias a tornar disponíveis informações para o público sobre os benefícios do casamento, e os custos do divórcio.
O relatório também apelou para o governo para publicar dados mais claros de quanto é gasto no apoio à coabitação e pais solteiros. Também recomendou a reforma do sistema fiscal para aliviar a despesa dos casais.
Os governos precisam entender a diferença entre o casamento e a coabitação, e eles deveriam promover o casamento por todos os benefícios que ele oferece a mais do que a coabitação – pede o estudo com urgência. Pontos válidos, fundamentados em forte evidência empírica.

Da agência de notícias ZENIT: Novidades sobre caso de Galileu no Arquivo Secreto Vaticano.

Novidades sobre caso de Galileu no Arquivo Secreto Vaticano em um livro apresentado hoje na Santa Sé.

Por Carmen Elena Villa.
CIDADE DO VATICANO, quinta-feira, 2 de julho de 2009 (
ZENIT.org).

Uma nova edição sobre as investigações do processo realizado com Galileu Galilei (1611-1741) foi apresentada nesta manhã em um briefing oferecido na Sala de Imprensa da Santa Sé.
O novo volume intitula-se I ducomenti vaticani del processo di Galileo Galilei (“Os documentos vaticanos do processo de Galileu Galilei”).
A edição esteve a cargo do prefeito do Arquivo Secreto Vaticano, Dom Sergio Pagano.
O livro inclui uma ampla introdução de 208 páginas, uma das novidades com relação à edição ante rior, publicada em 1984.
A publicação se dá no contexto da celebração do Ano da Astronomia, declarado pela Unesco para celebrar os 400 anos do descobrimento do telescópio.
Dom Pagano parte da análise da mais recente e acreditada bibliografia que fala do caso de Galileu.
A antiga edição deste livro antecedia os pronunciamentos realizados pelo Papa João Paulo II, quando concluíram os trabalhos da comissão para analisar o caso de Galileu, entre 1981 e 1992.
Longe de apresentar novas hipóteses interpretativas sobre o caso de Galileu, o autor pretende oferecer ao leitor novos elementos que permitam compreender os documentos do processo.
Durante a apresentação do livro, Dom Pagano compartilhou com os jornalistas sua reflexão pessoal sobre o juízo e a condenação de Galileu.
“O caso de Galileu ensina a ciên cia a não se considerar professora da Igreja em matéria de fé e de Sagradas Escrituras”, declarou.
“E, ao mesmo tempo, ensina a Igreja a abordar os problemas científicos – também os relacionados com a mais moderna pesquisa sobre as células estaminais, por exemplo – com muita humildade e circunspecção”, acrescentou.
Dom Pagano recordou igualmente a situação na qual Galileu morreu.
“Morreu como católico e penitente – disse. Depois de ter escutado a sentença, Galileu disse: ‘Peço duas coisas: crer em minha reta fé e na fé de católico’.”
Este novo livro apresenta alguns documentos que foram descobertos após a abertura dos arquivos da Congregação para a Doutrina da Fé. Também novos materiais bibliográficos que vão da denúncia at& eacute; a condenação.
Igualmente, inclui textos e documentos da Congregação do Santo Ofício, do Arquivo Secreto e da Biblioteca Apostólica Vaticana.
Segundo Dom Pagano, todos os documentos foram relidos sobre os originais do Arquivo Vaticano, da Congregação para a Doutrina da Fé e da Biblioteca Vaticana.

Da agência de notícias ZENIT: “Caritas in veritate” faz da questão social uma questão antropológica.

Caritas in veritate” faz da questão social uma questão antropológica

Apresentação da encíclica na Espanha
MADRI, quinta-feira, 9 de julho de 2009 (ZENIT.org):

A nova encíclica do Papa não pode ser lida a partir de uma ótica econômica ou política, pois se cairia no reducionismo; deve ser lida a partir de uma ótica antropológica e teológica – indicou a professora da Universidade Pontifícia de Salamanca em Madri, María Teresa Comte Grau, durante a apresentação da encíclica realizada nesta quarta-feira na sede da Conferência Episcopal Espanhola, em Madri.
“A questão social se converteu em uma questão antropológica, o que nos convida a perguntar-nos pelo homem, a superar o reducionismo psicológico para redescobrir a dimensão espiritual do ser humano”, declarou.
Para Compte, “ a proposta da encíclica é um humanismo cristão cujo centro é Deus”.
Neste humanismo proposto por Bento XVI, “o homem reconhece e aceita que, para desenvolver-se como tal, precisa de algumas condições sociais que lhe permitam crescer em toda a sua integridade, em todas as suas dimensões”.
Também falou deste tema o porta-voz da CEE, Dom Juan Antonio Martínez Camino, bispo auxiliar de Madri, na coletiva de imprensa de apresentação.
Para o prelado, na proposta que o Papa faz, “a questão fundamental é se o homem é um produto de si mesmo ou se está em dependência de Deus”.
“Se o ser humano fosse um produto de si mesmo, o progresso consistiria em fazer coisas, na vitória da técnica”, disse.
E acrescentou: “Mas se depende de Deus, o progresso é uma vocação; o ser humano está chamado a ser mais, ao progresso completo, porque escutou o chamado de Deus”.
“Daí radica o verdadeiro humanismo – sintetizou. Sem vida eterna, que é a vocação do ser humano, não há progresso.”
Dom Martínez Camino se referiu também à lei moral natural da qual o Papa fala em sua encíclica. Advertiu que não deve ser confundida com as leis da natureza, com as leis físicas, mas que “responde à gramática da natureza humana na que se expressa a linguagem divina”.
“Aí está a base da dignidade do homem – resumiu. Por isso, os direitos do homem não podem se fundamentar somente nas deliberações de uma assembleia de cidadãos.”
O prelado também recolheu a indicação do Santo Padre segundo a qual “não haverá respeito ao meio ambiente se a ecologia humana não for cultivada na família e na escola, de acordo com a verdadeira natureza do ser humano”..
Globalização
Marcando a encíclica social na história da doutrina social da Igreja, Dom Martínez Camino afirmou que Caritas in veritate é uma “homenagem a Paulo VI, autor da Populorum Progressio, que deve ser considerada como a Rerum novarum de nosso tempo”.
O prelado afirmou que “o diagnóstico de Paulo VI continua sendo válido”, e Bento XVI “o amplia à nova situação mundial, de maior proximidade e unidade”.
“Tudo está mais perto; fala-se de deslocalização dos mercados, de globalização, mas a maior relação entre todos os homens no mundo não é sempre igual a uma maior proximidade na solidariedade – explicou. Este é o diagnóstico e o desafio.”
O prelado destacou que, segundo explica Bento XVI no texto, “a nova conjuntura global oferece novas possibilidades que não foram aproveitadas até agora”.
“A encíclica se propõe como uma ajuda para uma necessária e exigente reformulação das estruturas econômicas e sociais no mundo, que está pendente”, assegurou.
Dom Martínez Camino assinalou como o Papa aponta ao relativismo físico e moral como base das contradições do sistema atual; contradições que fazem que, por um lado, sejam reivindicados supostos direitos e se pretenda que as instituições públicas os promovam, enquanto há direitos fundamentais, como o direito a comer ou ao trabalho, que são vulneráveis em grande parte da humanidade, denunciou.
Como já apontou Paulo VI e confirma agora Bento XVI, disse o bispo espanhol, “a causa mais fundamental da injustiça não é de ordem material; a mais radical é a falta de fraternidade entre os homens”.
A razão por si só é capaz de estabelecer uma convivência entre os homens, mas a irmandade unicamente nasce de uma vocação transcendente de Deus Pai, o primeiro que nos ensinou o que é a caridade fraterna, disse o prelado, remetendo-se à encíclica.
“Sem fraternidade não há desenvolvimento humano – disse em outro momento. Excluindo Deus das relações humanas, não se pode entender o ser humano nem o desenvolvimento.”
Neste sentido, a professora Compte indicou que a relação de fraternidade que une os homens “é a razão do compromisso social e público do cristianismo”.
E destacou uma afirmação da encíclica: “A caridade é a via mestra da doutrina social da Igreja”.
Assinalou que “esta verdade tem uma dimensão prática que se concretiza em dois princípios que orientam a doutrina social da Igreja: a justiça e o bem comum”.
A “justiça entendida não só como dar ao homem o que merece em função do que dá, mas dar-lhe o que lhe é devido pelo simples fato se sê-lo”.
E o bem comum entendido como o resultado de um desenvolvimento livre, sem travas, do homem, de todos os homens em condições ambientais, materiais e espirituais que lhes permitam chegar a ser o que estão chamados a ser, explicou.
Para a professora, o Papa escreveu a encíclica para responder a um homem que vive em uma sociedade cada vez mais complexa e tecnificada, fruto da globalização e da acentuação da interdependência.

2009/07/11

Dom Guilherme Werlang explica a participação da CNBB no Simpósio Internacional Mudanças Climáticas e Justiça Social

CNBB: Papa Bento XVI promulga Encíclica Social.


O Papa Bento XVI publicou hoje, 7, uma nova Encíclica, a terceira de seu pontificado. As duas anteriores foram: “Deus caritas est”, de 2006, e “Spe salvi, de 2007, que tiveram as virtudes teologais como princípios motivadores.
A Encíclica hoje publicada, intitulada CARITAS IN VERITATE, é dirigida à Igreja e a todos as pessoas de boa vontade e trata do desenvolvimento humano integral fundado na caridade e na verdade. Centrada especificamente em temas sociais, a Encíclica se insere no conjunto da Doutrina Social da Igreja.
Assinada no dia 29 de junho, solenidade dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo, a Encíclica pretende aprofundar alguns aspectos do desenvolvimento alcançado em nossa época, à luz da caridade na verdade.
Após uma introdução em que situa a caridade e a verdade como princípios ao redor dos quais se constrói toda a doutrina social da Igreja, o Papa desenvolve a reflexão em seis capítulos. Inicia recordando a mensagem da Populorum Progressio, encíclica de Paulo VI (1967), acerca do progresso dos povos. A partir dai considera os problemas atuais do desenvolvimento. Trata da fraternidade e desenvolvimento econômico, no terceiro capítulo. Em seguida considera o desenvolvimento dos povos em relação aos direitos e deveres, ao ambiente, à técnica e à colaboração solidária da família humana. Na conclusão o Santo Padre recorda que todos, mas os cristãos de modo especial, são chamados a construir um humanismo integral. A disponibilidade para Deus se abre à disponibilidade para os irmãos e para uma vida entendida como tarefa solidária e jubilosa, diz o Papa. Por outro lado, a indiferença a Deus e o ateísmo correm o risco de redundar em desconsideração ao ser humano e aos valores da vida e se constituir como os maiores obstáculos ao desenvolvimento.
Nesta Encíclica o Santo Padre mostra que é necessário promover um humanismo integral que concilie o desenvolvimento social e econômico com o respeito pelo ser humano e que sejam superadas as profundas disparidades entre ricos e pobres, expressão de injustiça e causa de exclusão de pessoas e povos.
A “caridade” é aplicada às realidades do trabalho, da economia e do desenvolvimento. No âmbito da economia, as leis de mercado, que privilegiam o lucro, não podem ser consideradas em detrimento do ser humano e do bem comum. É necessário perceber quais são os valores e as regras segundo as quais o mundo moderno deve se regular a fim de realizar um novo modelo de desenvolvimento, mais atento às exigências da solidariedade e mais respeitador da dignidade humana. Nesse sentido, o Papa chama à reconsiderar paradigmas econômico-financeiros, predominantes nos últimos anos, que tiveram sua fragilidade evidenciada pela atual crise econômica. Além dos aspectos referentes à macro-economia, o Papa considera a necessidade de superar a avareza e a ganância, expressões da idolatria do ter. Num mundo globalizado é necessário globalizar também a solidariedade, construindo uma consciência ética alicerçada no Evangelho.
A atual sociedade globalizada registra desequilíbrios paradoxais e dramáticos. Quando paramos para analisar as problemáticas ligadas ao progresso moderno, sem excluir a elevada poluição e o consumo irresponsável dos recursos naturais e ambientais, parece evidente que somente um processo de globalização atento às exigências da solidariedade pode assegurar à humanidade um porvir de autêntico bem estar e de paz estável para todos, diz o Papa. Questões como essas exigem atenção de todos, mas, devido às exigências do Evangelho, dos cristãos em particular.

CNBB: Em audiência pública, papa fala de questões sociais e reunião do G-8.

“Temos de repensar o desenvolvimento de uma forma abrangente. A encíclica não propõe soluções técnicas, mas solicita o respeito de princípios fundamentais, do meio ambiente e das leis, para construir um verdadeiro desenvolvimento humano, e principalmente, para lutar contra a fome e a insegurança alimentar”.
As palavras foram ditas pelo papa Bento XVI nesta quarta-feira, 8, em audiência pública com fiéis, romanos e turistas, na Sala Paulo VI. Durante seu discurso, o pontífice falou da Encíclica Caridade na Verdade. Ele disse que o homem e a sociedade são renovados exclusivamente em Cristo.
O pontífice afirmou que somente o filho de Deus é a raiz do desenvolvimento humano integral e autêntico. “Força dinâmica que supõe a justiça e, ao mesmo tempo, completa, com a gratuidade do dom e do perdão”.
Bento XVI saudou os peregrinos em inglês e orações de modo especial aos líderes do G-8, para que suas decisões promovam a justiça e desenvolvimento, especialmente aos mais pobres. “A humanidade é uma família na qual todo programa de desenvolvimento integral deve levar em conta o crescimento espiritual e a força motriz da caridade na verdade”.
Em alemão e espanhol o pontífice apresentou sua Encíclica como um documento que analisa a reflexão eclesial sobre importantes questões sociais.
Nos idiomas esloveno, eslovaco, polonês e português, o papa saudou: “Acolho cordialmente todos os peregrinos de língua portuguesa nomeadamente os grupos vindos do Brasil e de Portugal para encontrar o Sucessor de Pedro. Que todos vós possais, em Cristo, viver a caridade na verdade, contribuindo assim para uma real promoção do bem comum. Jesus é o Homem novo que abre as portas para a verdadeira renovação da humanidade. Desça a Sua Bênção sobre cada um de vós e vossas famílias”.

CNBB: Brasília acolherá em agosto a Semana Filosófica

Entre os dias 17 e 21 de agosto acontecerá em Brasília a Semana Filosófica. O tema do encontro será “Fenomenologia da Convivência e Alteridade”.
A grade de programação contará com a participação de palestrantes nacionais como: doutor Frei Marcos Aurélio Fernandes; doutor professor Miguel Mahfoud, e internacionais: doutor padre Ezio Bellini Sontino (Itália).
No encerramento da Semana Filosófica haverá uma missa de encerramento presidida pelo Núncio Apostólico, dom Lorenzo Baldisseri.
Outras informações e inscrições falar com padre Marco Antônio Forero, (
foremar@hotmail.com), (61) 3366-9901, diácono Rogério Alves Gomes (iodacruz@hotmail.com) (61) 8455-6674 ou Elizabete Silva, (bet.silva@hotmail.com) (61) 3366-9901.

CNBB: Plano de Mobilização Social pela Educação é lançado no Rio de Janeiro.

No dia 22 de junho, às 16h, foi lançado o Plano de Mobilização Social pela Educação, no plenário Teotônio Vilela, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, uma iniciativa da Comissão Permanente de Educação e Cultura da Câmara Municipal do Rio. Compunham a mesa, além de alguns deputados, o arcebispo do Rio de Janeiro, dom Orani Tempesta; a assessora especial do Ministério da Educação, Oroslinda Goulart; o professor e presidente da Associação de Escolas Católicas do Rio de Janeiro, da Pastoral da Educação do Regional Leste I da CNBB (Rio de Janeiro) e responsável pelo projeto no Estado, Sérgio Maia; e pelo presidente do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Rio de Janeiro (Conic-Rio), pastor José Roberto Cavalcante.
Cerca de 150 pessoas estiveram presentes no evento. Todos receberam o material da campanha: o “Manual do Mobilizador” e a cartilha “Acompanhem a Vida Escolar de seus Filhos”.
“A Igreja Católica está presente socialmente nesta questão, solicitada pelo Ministério da Educação. O segredo de um país está na educação de seu povo, e essa é uma política de Estado que interessa a todos os segmentos da sociedade. Por isso, este evento na Câmara, promovido pela Comissão de Educação e Cultura, através do vereador Reimont Santa Bárbara, deve ecoar por todo o Brasil”, afirmou dom Orani Tempesta.
O professor Sérgio Maia ressaltou que a Igreja participa do Comitê de Mobilização e tem um Comitê próprio junto à Associação de Escolas Católicas. Através da Pastoral da Educação, são realizadas no estado do Rio de Janeiro oficinas de dois meses para capacitação de multiplicadores. Na segunda semana de agosto haverá mais uma oficina desse tipo na região metropolitana do Rio de Janeiro, com data ainda a confirmar.
O Pastor José Roberto Cavalcante lembrou que nem sempre a oração resolve tudo e que é preciso ação: “Há casos em que a oração é um pedido de que Deus abençoe nossa ação, nosso esforço, e a educação é um desses casos. Se a gente ficar só orando para que o Brasil melhore, não vamos ser bem sucedidos. Por maior que seja a igreja, nenhuma confissão cristã tem condição de fazer sozinha uma transformação no nível que o país precisa e espera. Portanto, vamos orar para que isso dê certo e trabalhar para que nossa oração seja abençoada, se colocando à disposição para contribuir nos projetos propostos”.
Oroslinda Goulart destacou que o projeto tem um plano para a mobilização da sociedade pela educação que traça 28 diretrizes, todas contidas no Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE). O objetivo é reproduzir boas práticas encontradas em escolas públicas para todo o sistema de ensino. Além disso, pretende ajudar a entender como as famílias podem auxiliar os filhos tanto dentro de casa como na escola. O intuito é melhorar o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), para que menos alunos repitam o ano e, consequentemente, mais alunos aprendam. Segundo ela, 35 milhões de brasileiros na faixa de 6 a 14 anos estão fora da escola, o que reforça a importância desse trabalho. Para isso o trabalho dos mobilizadores é fundamental, pois eles podem entrar em contato com as famílias.

O projeto
O Plano de Mobilização Social pela Educação teve como base o Plano de Mobilização de Igrejas Cristãs pela Educação, um projeto que nasceu do esforço conjunto das confissões cristãs, que buscaram definir uma estratégia comum de mobilização social pela educação. O Plano de Mobilização tomou como referência as diretrizes do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), lançado em 2007 pelo Ministério da Educação.

CNBB: Cadastro de Pós-Graduados.

O PORQUÊ DO CADASTRO DE PÓS-GRADUADOS
A Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé e a OSIB, esta vinculada à Comissão Episcopal para os Ministérios Ordenados e a Vida Consagrada, têm a intenção de constituir um banco de dados, dinâmico e atualizável, sobre pessoas ligadas à Igreja que tenham pós-graduação em áreas diversas de conhecimento. Esse cadastro possibilitará melhor visibilidade e aproveitamento dos estudos de cada um e, conseqüentemente, um melhor serviço à Igreja.
É importante que essa iniciativa seja amplamente divulgada entre o clero, nos seminários, nas universidades e em outras instituições de ensino ligadas à Igreja a fim de que se realize o cadastro dos clérigos que possuam especialização, mestrado ou doutorado e também de religiosos e leigos, nestas mesmas condições, que atuam em instituições de ensino da Igreja.
Utilidade desse registro:
Oportunamente, teremos facilidade em ter acesso a informações sobre as pessoas e suas áreas de conhecimento e também identificar as áreas em que mais faltam pessoas preparadas. Será também mais fácil obter algumas informações. Você poderá localizar, por exemplo:
Todos os que possuem doutorado em uma determinada área de conhecimento.
Quem possui mestrado, num regional específico.
Quais são os professores que lecionam esta ou aquela matéria, no Estado.
Ou fazer uma pesquisa por nomes ou dioceses.
Conservando-se a senha utilizada será possível, posteriormente, corrigir, completar, atualizar e consultar os dados registrados.
Realize seu cadastro e divulgue a informação para que outros também o façam. Agradecemos sua atenção:
Pe. Wilson Angotti (pela Comissão para a Doutrina da Fé)
Pe. Paulo Bosi Dal'Bo (pela OSIB)

2009/07/10

Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica


O Plano Nacional de Formação dos Professores da Educação Básica é resultado da ação conjunta do Ministério da Educação (MEC), de Instituições Públicas de Educação Superior (IPES) e das Secretarias de Educação dos Estados e Municípios, no âmbito do PDE - Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação – que estabeleceu no país um novo regime de colaboração da União com os estados e municípios, respeitando a de autonomia dos entes federados.
A partir de 2007, com a adesão ao Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, os estados e municípios elaboraram seus respectivos Planos de Ações Articuladas, onde puderam refletir suas necessidades e aspirações, em termos de ações, demandas, prioridades e metodologias, visando assegurar a formação exigida na LDB para todos os professores que atuam na educação básica.
Os Planejamentos Estratégicos foram aprimorados com o Decreto 6.755, de janeiro de 2009, que instituiu a Política Nacional de Formação dos Profissionais do Magistério da Educação Básica, com a finalidade de organizar, em regime de colaboração da União com os estados, Distrito Federal e municípios, a formação inicial e continuada desses profissionais.
O Plano Nacional de Formação é destinado aos professores em exercício das escolas públicas estaduais e municipais sem formação adequada à LDB, oferecendo cursos superiores públicos, gratuitos e de qualidade, com a oferta cobrindo os municípios de 21 estados da Federação, por meio de 76 Instituições Públicas de Educação Superior, das quais 48 Federais e 28 Estaduais, com a colaboração de 14 universidades comunitárias.
Por meio deste Plano, o docente sem formação adequada poderá se graduar nos cursos de 1ª Licenciatura, com carga horária de 2.800 horas mais 400 horas de estágio para professores sem graduação, de 2ª Licenciatura, com carga horária de 800 a 1.200 horas para professores que atuam fora da área de formação, e de Formação Pedagógica, para bacharéis sem licenciatura. Todas as licenciaturas das áreas de conhecimento da educação básica serão ministradas no Plano, com cursos gratuitos para professores em exercício das escolas públicas, nas modalidades presencial e a distância.
O professor fará sua inscrição nos cursos por meio de um sistema desenvolvido pelo MEC denominado Plataforma Paulo Freire, onde também terá seu currículo cadastrado e atualizado. A partir da pré-inscrição dos professores e da oferta de formação pelas IES públicas, as secretarias estaduais e municipais de educação terão na Plataforma Freire um instrumento de planejamento estratégico capaz de adequar a oferta das IES públicas à demanda dos professores e às necessidades reais das escolas de suas redes. A partir desse planejamento estratégico, as pré-inscrições são submetidas pelas secretarias estaduais e municipais às IES públicas, que procederão à inscrição dos professores nos cursos oferecidos.